O Savoy Palace tornou-se o símbolo de uma ilha capturada. Um hotel que, à custa do endosso constante do Governo Regional, parece ser a peça central de toda a estratégia turística da Madeira. Nenhum evento escapa à sua órbita: conferências, festivais, até o rali, tudo canalizado para sustentar um colosso privado que não devolve à sociedade proporcionalmente ao que dela recebe. E mesmo assim, a promessa de sucesso ficou aquém; o “mamute” não vingou como vitrine global da Madeira.
O Governo, no entanto, não recua. Continua a apostar na massificação do turismo, com obras lançadas em ritmo acelerado, como se a pressa fosse sinónimo de progresso. Veja-se o novo hospital, já com 45% de sobrecusto e sem fim à vista. O sucesso desta estratégia é garantido, mas não para os madeirenses, é um sucesso bem assistido, cuidadosamente infraestruturado, tal como um campo de golfe preparado antes de se abrir a exploração imobiliária privada que, mais cedo ou mais tarde, irá surgir.
Enquanto isso, o comércio tradicional da baixa do Funchal agoniza. Lojas históricas fecham portas, ruas outrora vivas transformam-se em corredores estéreis para turistas apressados em lojas repetidas para os assistir. E, no epicentro desta decadência, está Eduardo Jesus, o secretário regional que muitos já consideram o pior de sempre. Arrogante no discurso e estéril na ação, governa o setor turístico com uma visão de curto prazo, de números inflacionados e políticas rasas, deixando um rasto de destruição.
Os danos não se limitam à degradação da identidade turística: estendem-se aos recursos básicos da ilha, com sistemas de água e esgotos a cederem sob pressão, paisagens naturais sobrecarregadas por hordas de visitantes, e cenas impensáveis como macacos a trepar árvores no Fanal, símbolo de uma natureza que já não é respeitada.
E agora, a última vítima: o comércio tradicional. As rendas, já insuportáveis para habitação, tornaram-se igualmente proibitivas para pequenos negócios. Proprietários pedem valores incomportáveis, e os lojistas, sem margem para competir com a especulação imobiliária e os grandes grupos apoiados pelo Governo, fecham portas. O tecido económico local é lentamente desfeito, e com ele, desaparece uma parte da alma da Madeira. Ao contrário do que o Governo faz com o Savoy, deixa o comércio tradicional na mira da especulação alojamentos, hotéis e ALs. Que loucura o que estão a fazer ao Funchal.
Esta não é apenas uma crise de governação: é uma estratégia que privilegia poucos à custa de todos. Uma ilha que poderia ser exemplo de equilíbrio entre desenvolvimento e preservação, está entregue a uma visão imediatista, que confunde crescimento com exploração e prosperidade com submissão ao interesse privado.
Agora vamos ver as lojas que fecham e o que vai aparecer lá, porque o "despejo" é metade da estratégia. Querem apostar que é mais alojamento local?
E hoje, sai mais duas ou três páginas de tretas desse energúmeno que está destruir a Madeira? É um exagero, informe-se do que se está a passar no funchal, o jornalismo não tem vergonha de ir em contraciclo, completamente aprisionado na propaganda?
O Eduardo Jesus está a destruir a identidade e os madeirense.
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