PSD Madeira e o risco da sobranceria política no Funchal


Para quem falava de sofá para o Manuel António, Jorge Carvalho não está muito diferente.

N algum tempo dizia-se que, se o PSD candidatasse uma batata ela ganhava eleições, mas acho que esse tempo já passou, inclusive já perdeu o Funchal. O PSD Madeira parece encarar as eleições autárquicas no Funchal com um perigoso sentimento de inevitabilidade. O facto de ainda não ter iniciado uma pré-campanha estruturada, a poucas semanas do ato eleitoral, revela mais do que simples atraso estratégico, mostra um partido preso a uma lógica de poder instalado, convencido de que “ganha sempre” e que, por isso, pode entrar em campo no último mês e, ainda assim, vencer.

A escolha (ou falta dela) do candidato principal ilustra esta postura. Jorge Carvalho, secretário regional da Educação, só abandona o cargo a 12 de setembro, precisamente um mês antes do dia das eleições. Até lá, mantém-se ausente do terreno, impossibilitado de fazer campanha em pleno, enquanto a adversária Fátima Aveiro já percorre incansavelmente o Funchal, conquistando proximidade, presença e reconhecimento. O contraste não podia ser mais evidente: de um lado, uma candidata que se afirma, do outro, um partido que parece esperar que o peso do aparelho partidário e a tradição eleitoral façam o trabalho por si.

Este comportamento pode ter custos elevados. O Funchal não é o bastião histórico do PSD que era no passado; é um eleitorado urbano, mais crítico, mais atento a resultados do que a bandeiras partidárias. A sobranceria pode ser interpretada como desrespeito pelos cidadãos e abrir espaço para alternativas credíveis.

Além disso, a ausência de debate, propostas concretas e contacto com a população cria um vazio que os adversários podem explorar com facilidade. Quando o PSD finalmente entrar na corrida, talvez encontre terreno já ocupado, narrativas consolidadas e eleitores menos disponíveis para discursos de última hora.

Se o PSD Madeira acredita que “basta um mês para ganhar o Funchal”, pode estar a repetir erros que, noutras latitudes, já custaram caro a partidos dominantes: subestimar o adversário, desvalorizar a preparação e confiar em demasia no passado. A política mudou, e os eleitores, cada vez mais exigentes, também.

O PSD Madeira está a subestimar os adversários, sobretudo a JPP, talvez avaliando que no Funchal, nas Regionais, obteve 24.158 votos contra 11.624 da JPP, esquecendo-se do descalabro que foi o mandato de Calado o "arrasador".

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