H á um ditado que se ouve cada vez mais pelos corredores: éramos felizes e não sabíamos. Não é nostalgia. É comparação. Entre 2019 e 2024, com todos os defeitos normais de qualquer gerência, havia rumo, havia organização e havia respeito por quem trabalhava na ARAE. E muito respeito pelo consumidor.
Hoje o cenário é bem diferente. O ambiente interno degradou-se. Há inspetores de baixa, técnicos cansados a concorrer a tudo o que aparece para tentar sair e profissionais experientes encostados, não por falta de competência, mas porque incomodam. Questionar ou lembrar como as coisas funcionavam passou a ser mal visto.
Muitas das mudanças que tinham sido feitas e que funcionavam foram abandonadas. Um exemplo simples é a página de Facebook da ARAE. Antes tinha alertas e informação útil para consumidores e operadores económicos. Hoje está praticamente parada. A comunicação ao público desapareceu e voltou o silêncio administrativo.
Planos há muitos. Reuniões também. Resultados é que são poucos. Fala-se muito, faz-se pouco. O bom senso também parece ter ficado pelo caminho. A recente ida ao mercado de Santana mostra isso mesmo, um disparate desligado do momento, da época e da realidade local. Muito registo fotográfico, pouca noção do terreno.
Mais grave é que há hoje locais e atividades que, internamente, se sabe que devem ser ignorados. Não está escrito, mas é entendido. A fiscalização passou a ser seletiva. E quando uma autoridade escolhe quem fiscaliza perde credibilidade.
Perante este ambiente, a atual Inspetora Regional tenta agora segurar inspetores e funcionários com promessas de revisão de carreira e de alargamento do suplemento inspetivo. Mas esquece-se que em 2023, o anterior Inspetor Regional já tinha entregue na Secretaria Regional da Economia de então uma proposta de revisão da carreira inspetiva, assinada por todos os inspetores. A proposta ficou na gaveta de uma chefe de gabinete que nunca fez o documento chegar ao secretário. Sabem quem era? É apenas a atual Inspetora Regional da ARAE, que chegou ao poleiro quando a ARAE vai parar ao colo do Turismo.
Agora vem com uma nova proposta, dita milagrosa, onde todos ganham o dobro. Mas quem conhece como as coisas funcionam sabe como isto acaba quando chega às Finanças. Não passa. Nunca passou. Serve apenas para ganhar tempo.
E assim vai a ARAE. A perder pessoas, credibilidade e utilidade. Até ao dia em que alguém pergunte para que serve uma autoridade que já não fiscaliza, já não comunica e já não protege ninguém. Se calhar, nesse dia, alguém voltará a dizer: éramos felizes e não sabíamos.
