A traição da Esquerda!


É já este domingo (18.1) que uma das provas mais difíceis de enfrentar, nos últimos 50 anos, se vai apresentar ao eleitorado de esquerda português.

P or contínua e manifesta falta de sentido prático político, os partidos da verdadeira “esquerda” continuam entrincheirados nos seus redutos, cada vez mais fragmentados e limitados.

Enquanto o “centro”, a “direita” e a “extrema-direita”, bem ou mal, se vão entendendo nos modos de alcançarem o poder, no sentido de prosseguirem com as políticas que só favorecem “mamões”, patrões e o grande capital, os partidos que se arrogam como defensores das classes trabalhadoras, dos oprimidos e dos explorados nada fazem de modo a inverterem a situação, desbaratando oportunidades por casmurrice e um esquisito modo de evidenciar uma falsa pureza (sem segundos sentidos) ideológica.

São todos acérrimos defensores dos fracos e dos desvalidos, mas, na hora da verdade, primeiro é preciso mostrar como são coerentes (ou intransigentes?) com as suas ideias e leais (ou casmurros?) aos seus ideais. Mesmo que sejam prejudiciais para a maioria daqueles que dizem defender. E ninguém parece conseguir mostrar-lhes que de boas intenções está o inferno cheio.

Não deixa de ser estranho haver gente, que se diz de “esquerda”, que tem fortes objeções de consciência em votar no candidato do PS na primeira volta, mas já não se importa de engolir sapos (sapos não, hipopótamos!), na segunda volta, quando tiver de escolher entre “direita” e “direita” ou entre “direita” e “extrema direita”.

Para além de falta de inteligência, estes seres revelam uma obstinação sem qualquer sentido, com um ego apenas centrado em si próprio e na satisfação dos seus próprios interesses, evidenciando uma mentalidade de claque futebolística, no pior sentido, fechados na sua redoma impoluta e asséptica, contrariando todos os princípios básicos da sua ideologia, o bem comum, e agarrados a um dogma ultrapassado e sem sentido.

Os meios justificam os fins, é uma atitude lógica e de senso comum. Para certa “esquerda”, os valores devem inverter-se, por acharem que ficam de bem com a sua consciência, e os fins passam a justificar os meios. Depois estranham e escandalizam-se que os eleitores “naveguem” para outras aventuras...

Fernando Letra