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Crise no Hospital Dr. Nélio Mendonça, acabaram-se os "desfiles de moda".

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Fomos informados que 70 enfermeiros do Serviço de Urgências de Adultos do Hospital Dr. Nélio Mendonça entregaram pedidos formais de escusa de responsabilidade. Isto é grave, aguentaram até sentirem que o que está a seguir é eles pagarem as favas por andarem feitos loucos sem condições de espaço, equipamentos e meios humanos. Atenção que o grupo representa cerca de 90% da equipa de enfermagem daquele departamento.

Os profissionais, confirmam o que vemos muitas vezes, mas passamos por exagerados com as desvalorizações do GR. Alegam falta de condições de segurança, carência de pessoal, degradação da qualidade dos cuidados prestados e exaustão por excesso de trabalho suplementar.

Os utentes devem perceber que esta atitude não é contra eles, mas sim em favor da qualidade do serviço, quando salvaguardam eventuais processos disciplinares ou criminais que possam surgir devido a erros cometidos num contexto de trabalho, os enfermeiros olham para os rácios de segurança que não são cumpridos.

A escusa de responsabilidade é um mecanismo de defesa ética e jurídica previsto no Estatuto da Ordem dos Enfermeiros, não é uma greve nem uma recusa em trabalhar, mas sim um alerta formal sobre o risco prosseguindo a trabalhar. Serve para responsabilizar a Secretária dos desfiles de moda.

O enfermeiro(a) que comunica oficialmente à sua chefia e à Ordem dos Enfermeiros que as condições do local de trabalho (falta de material, excesso de doentes por enfermeiro ou exaustão física) impedem o exercício seguro da profissão, transferem a responsabilidade aos superiores hierárquicos. Ao entregar este documento, o enfermeiro informa que, caso ocorra um erro clínico (como uma falha na medicação ou uma queda de um doente), a responsabilidade moral e jurídica deve ser partilhada ou imputada à instituição, que não garantiu os meios necessários para o cuidado seguro.

Apesar da escusa, o enfermeiro continua a prestar cuidados o melhor que pode, mas deixa de ser o único "bode expiatório" perante a lei se algo falhar naquele caos organizacional.

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1 Comentários
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  1. Na Região Autónoma da Madeira, os enfermeiros vivem uma realidade preocupante e inédita. O recurso à escusa de responsabilidade não constitui um ato de abandono, mas um alerta ético e profissional para condições de trabalho que colocam em risco a segurança dos cuidados e a dignidade de quem cuida e de quem é cuidado.

    Não podemos esquecer que são pessoas a cuidar de pessoas. O enfermeiro tem a missão de prestar cuidados com qualidade, segurança e humanidade, responsabilidade que se aplica a todos os níveis hierárquicos.

    A sobrecarga de trabalho, a escassa valorização profissional e o reconhecimento insuficiente afetam gravemente os profissionais e têm impacto direto nos utentes da Região.

    Neste contexto, o papel das lideranças é determinante. Liderar em saúde implica proximidade, escuta, incentivo e valorização das equipas. Importa, contudo, refletir sobre as prioridades institucionais, quando existem recursos para formar dirigentes de elevado gabarito, mas continuam a faltar condições e reconhecimento para os profissionais que diariamente dão tudo de si ao serviço da população.

    A escusa de responsabilidade é um ato de responsabilidade profissional e um sinal claro de que os limites foram ultrapassados. Ignorar este alerta é comprometer o presente e o futuro dos cuidados de saúde na Madeira.

    Cuidar de quem cuida é uma exigência ética e social.

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