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os últimos dias, o debate político na Madeira voltou a centrar-se num tema que diz respeito a todos: o futuro do Hospital Dr. Nélio Mendonça e a intenção anunciada pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, de o vender para financiar parte dos custos do novo Hospital Central e Universitário da Madeira. A forma como este processo tem sido comunicado e justificado levanta uma pergunta simples e crucial: o que é verdade e o que é narrativa política?
Os papéis não saem cá para fora a não ser pelos eleito do povo, desta vez calhou a Célia Pessegueiro.
No dia 23 de janeiro de 2026, Miguel Albuquerque confirmou publicamente que o edifício onde funciona o hospital seria vendido e que a receita dessa alienação seria usada para amortizar parte das despesas do novo hospital. Segundo o próprio, a decisão “já está decidida” e alternativas como converter o imóvel em respostas sociais foram descartadas por motivos de custo e funcionalidade. Miguelito tem piada nos cortes das despesas sociais para depois infraestruturar os investimentos dos amigos...
Alguns dias depois, o presidente do Governo Regional veio matizar a sua posição, afirmando que a venda “não é uma decisão efetiva neste momento”, e que apenas será equacionada no futuro, após 2030, altura em que ele próprio já não estará no cargo, esperemos, apesar dele já ter dito que pode continuar. O peste é de uma fiabilidade a toda a prova, ai aquela imunidade.
Estas duas declarações, aparentemente contraditórias, expõem um problema maior, transformar uma opção futura em inevitabilidade política. 2030 até é depois das próximas eleições Regionais. Miguelit, Miguelito, olha o Chega e o JPP a crescer.
O que Miguel Albuquerque disse, em suma, foi isto, que a venda é uma hipótese prevista para amortizar custos do novo hospital, uma ligação que existe em vários documentos do Estado e é objeto de interpretação política. Que a decisão não está a ser implementada imediatamente, e que ainda está em aberto o momento e as circunstâncias concretas dessa alienação. Mas, na prática, a forma como a mensagem foi transmitida, primeiro como “decisão tomada” e depois como “decisão futura”, assume um tom de fatalidade inevitável que não corresponde à realidade factual nem legal.
Esta diferença não é apenas semântica nem de textos de assessores na comunicação social. Vender um hospital público, especialmente um que possui valor estratégico para respostas de saúde, cuidados continuados e até soluções sociais, não é uma opção menor. É uma decisão que altera profundamente o território de políticas públicas. E, neste caso, a explicação apresentada pelo Governo Regional foi:
Hoje não se pode instalar um lar num edifício que não foi concebido para esse fim. Isso implicaria custos excessivos e disfuncionalidades.
Remodelar é caríssimo, e se fosse de raiz? Já temos o edifício! E o somatório dos campos de golfe é caro?
Isto não invalida a discussão, mas não é uma obrigação nem uma necessidade democrática. É, antes, uma interpretação política calculada, a venda serve para financiar parte do novo hospital e, portanto, deve ser apresentada como inevitável. Miguelito, Miguelito sabe forçar a barra. Cuidado com os loucos que acusam.
Quando a narrativa política domina o discurso sem contextualizar os factos, cria-se um ambiente em que a população é levada a aceitar opções difíceis como se fossem rígidas, quando são, na verdade, decisões políticas abertas ao debate.
A política não é apenas uma questão de gestão técnica de bens públicos ou de equilíbrio de contas, é, também, sobre valores, transparência e respeito pelo debate democrático. Quando um presidente de governo transforma uma opção política em um destino inevitável, ele não está apenas a modelar expectativas, está a limitar a participação real da cidadania nesse processo. É um autoritário ou um ditador do dinheiro público? Há algo mais necessário do que apoiar os idosos?
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