Tudo aquilo que uma investigação não é.
Respira, Miguel. Planeia como sempre planeaste: com ar de normalidade. Não é fuga, é agenda internacional. Nunca é fuga. É visão global. A PJ cria uma task force só para a Madeira. Só. Exclusiva. Isto, em gestão, chama-se foco. Em política, chama-se azar. Chama-se “altura certa para desaparecer do radar”. O truque é simples, quando o ruído aumenta, sobe-se de altitude. Lisboa é pequena. Funchal é claustrofóbico. Dubai? Dubai é uma ideia. Um conceito. Uma miragem com skyline. O hospital? Genial. Vender o velho para pagar o novo soa a modernização. Quem critica não percebe de ativos. Quem percebe faz perguntas. Quem faz perguntas… bom, esses nunca são convidados para a fotografia da inauguração.
Dizem “marosca”. Palavra feia. Eu prefiro “engenharia financeira com coragem política”. Coragem é sempre a palavra certa quando já não há consenso. A task force preocupa-me? Claro que não. Preocupa-me o tempo. Investigações vivem de detalhe. Eu sempre vivi de velocidade. Dubai não é fuga. É reposicionamento estratégico. É onde os problemas ficam em fuso horário diferente. Onde os comunicados chegam quando já é noite em Portugal. Onde a consciência tranquila cabe melhor num hotel de cinco estrelas.
Se perguntarem, digo que vou atrair investimento. Se insistirem, digo que volto. Se apertarem, sorrio. Sempre funcionou. Porque no fundo, eu sei, não é preciso provar inocência, basta ganhar tempo. E tempo, como património público, quando aperta… vende-se. Agora fecha o portátil. Passaporte no bolso. Gravata alinhada. Não é fuga. É saída pela direita. Com vista para o deserto.
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