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Não sei como mas saiu, talvez sem pensar, na Madeira, o lixo duplicou em apenas 10 anos, 190.959 toneladas (2014) - 386.886 toneladas (2024), Claro, o aumento mais drástico verifica-se nos inertes (entulhos). Sentem-se, insustentável, a deposição na Meia Serra cresceu 1.400%, passando de 12.116 toneladas em 2015 para 181.852 toneladas em 2024.
Se a população nativa está a diminuir, este aumento não provém do consumo doméstico tradicional, mas sim da pressão do setor da construção civil e do turismo de massa, que geram resíduos a um ritmo que a ilha não consegue absorver de forma regenerativa!
Também falam de que há fragilidade nas Reservas Hídricas, porque embora as notícias indiquem que as reservas estão em "fase de enchimento" devido às chuvas do último trimestre, a situação é de alerta. Porque não dizem a verdade? Consumo exorbitante comparado com aquilo que a ilha aguenta! Tomamos conhecimento de que o equilíbrio depende inteiramente de episódios de precipitação extrema, como o ocorrido no final de 2025, uma vez que o histórico desde 1940 mostra uma tendência de redução nos aquíferos. Estávamos em plena Segunda Guerra Mundial e os lençóis freáticos já estavam a diminuir. e com mais de 80 anos em cima, ainda aceleramos no consumo, viva os campos de golfe. E lá vem a ARM apelar ao consumo moderado, se calhar nem devemos usar para conseguirem ter mais turismo desenfreado!
Se a trajetória atual se mantiver, a Madeira enfrenta três grandes riscos.
- A Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos (ETRS) da Meia Serra está a receber volumes de inertes que superam em muito a sua capacidade planeada. O futuro exigirá a exportação de lixo ou a criação de novos aterros em zonas de valor ambiental, o que degradará o produto turístico "Natureza".
- Com o aumento da construção (provado pelo lixo de inertes) e a diminuição da população nativa, o consumo de água está a ser redirecionado para novos empreendimentos e rega de jardins de luxo, retirando resiliência à agricultura local e ao consumo das famílias.
- O estado atual revela que a ilha está a consumir o seu capital natural para alimentar um crescimento económico que não beneficia a base demográfica residente.
Parabéns Madeira Opina por manterem as hemerotecas! Muitos avisam sobre a degradação do estilo de vida e isso vamos ver nas hemerotecas.
O futuro aponta para a necessidade urgente de políticas que limitem a pegada ecológica do setor turístico e da construção. Que pontaria, o modelo da pobreza que insistem em ficar, para empobrecer e destruir. Sem um travão no crescimento dos resíduos e uma proteção férrea dos aquíferos, a "pérola do Atlântico" corre o risco de se tornar um estaleiro a céu aberto com falta de água potável para quem nela habita.
Hoje vale a pena comprar o DN. Assim veem que não minto!
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