O silêncio dos amigos.


“No fim, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.” Essa advertência mantém a sua força sempre que a democracia é posta à prova. Quando o silêncio parece mais cómodo do que a coragem da palavra, a democracia perde defensores e ganha riscos.

A neutralidade aparente de muitos actores políticos não é isenção, é abdicação. Não é um gesto de prudência; é um recuo moral. Afirmar que “não tomar partido” é cumprir um dever de equilíbrio é, na prática, entregar à indecisão a responsabilidade que pertence ao pensamento político e à defesa constitucional. Neste momento crítico, a omissão tem peso: permite que posições que fragilizam o sistema democrático cresçam sem contestação.

Viver numa democracia exige vigilância activa. Proteger a Constituição exige mais do que palavras soltas em gabinetes: exige escolhas claras, intervenções responsáveis e apelo ao envolvimento cívico. Quem confunde neutralidade com equilíbrio confunde também permissividade com legitimidade. A presidência da República não é palco para experimentos de agitação; é um freio institucional, um garante de estabilidade e um mediador de pluralismos. É caso para escolher quem corresponde a essa função.

A indignação popular merece ser ouvida; a frustração social tem causas reais e legítimas. Mas a presidência não pode transformar essa frustração em programa. O cargo exige temperança, sentido de Estado e capacidade de proteger direitos e instituições, não de explorar ressentimentos para obter visibilidade momentânea.

Num tempo em que a retórica encontra eco fácil, a responsabilidade pública deve reaparecer com nome e consequência. Defender a democracia não é um gesto neutro: é um acto activo. É exigir que vozes públicas esclareçam a sua posição e que os eleitores percebam os riscos das escolhas que tomam.

Por isso, nesta segunda volta, a defesa da liberdade, do equilíbrio institucional e do respeito pela Constituição exige um apoio inequívoco. António José Seguro reúne as qualidades de disciplina institucional, capacidade de conciliação e compromisso com a ordem constitucional que a função exige. Votar com consciência é escolher a estabilidade sobre a provação; escolher a defesa da República sobre o espetáculo.

Silenciar hoje é arrepender-se amanhã. Falar, e votar, é a responsabilidade que salva a democracia.