Vou tentar ser justo! Mas, Maçonaria para muitos são arranjinhos de poderosos para controlar a política e a economia, na prática. Estamos cansados de controlo, queremos liberdade, igualdade, oportunidade, mérito...
A
O trabalho jornalístico prima por ser algo que parecia estar esquecido nos jornalistas da Madeira. A peça é feliz ao ligar a maçonaria à história da Madeira, refere a influência dos comerciantes ingleses e o impacto do Estado Novo, que obrigou o movimento à clandestinidade. Ao mencionar que o movimento se mantém vivo e atuante, o texto valida a relevância atual destas organizações na sociedade civil madeirense, retirando-as do bolor do passado. É este o propósito de se apresentar em público? Ser aceite sem estigmas?
Uma parte significativa da notícia foca-se nos exemplos de símbolos maçónicos, o Avental, o Compasso, o Esquadro e a Romã. é uma aula de iniciação? Esta escolha editorial quer ajudar a humanizar a organização? Ao explicar que o esquadro representa a moralidade ou a romã a união, a notícia substitui o "mistério" pela "ética".
A menção à entrega de 50 computadores a crianças ucranianas e o apoio a lares na Madeira (como o Lar de Idosos do Porto Moniz) reforça a face visível e benemérita da organização, o que contrabalança a ideia de que são apenas grupos de influência política. Mas a mim fez-me lembrar o senhor Sousa a entregar computadores na Jaime Moniz, o porco e o chouriço, dois símbolos de maçonaria própria.
A escolha de entrevistar o grão-mestre dá rosto e voz institucional à notícia. Pedro Rangel utiliza um tom de apreensão perante o mundo atual, o que confere à maçonaria um papel de farol de conduta e espiritualidade. Apela a um público que sente falta de valores éticos na política e na sociedade em geral. Não será que a Maçonaria é outro lóbi à procura de um lugar ao sol como muitos que vêm à Madeira para elogios gratuitos a ver se também "lambuzam". A última "coisa" do género veios com tantas "sedes" que acabou em nada e a líder em comentários numa TV nacional. Chegada brilhante, saída silenciosa.
A explicação sobre o processo de seleção (três entrevistas, sindicância, votação) é crucial para mostrar que não é um "clube aberto", mas uma ordem com critérios rigorosos. Memorizem o indicador, afinal é elitista e lobista com bons modos claro, tal como o PSD em benefício da Madeira e dos madeirenses, como estamos a ver...
A reflexão de Rangel sobre o facto de as pessoas escolherem mal e terem de "gramar" com as consequências (em alusão à política atual) faz uma ponte direta com a atualidade democrática, o que torna a leitura muito pertinente para o leitor comum do JM. O Chega não fala igual? E Trump também não falou? Argumentar é muito fácil.
A notícia é uma peça de jornalismo de referência que aproveita um evento local (a abertura da Loja "Colunas Atlânticas nº 21") para educar o público sobre uma instituição secular. Porque não levou um "PUB"? Insere-se no modelo de propaganda local? Consegue equilibrar o respeito pela tradição com a modernidade da inclusão feminina, reforçando a ideia de que, na Madeira, a sociedade civil está em constante evolução. Perfeito.
Vamos evoluir um pouco num espaço onde só o Madeira Opina propicia, a opinião sobre tudo isto!
Já vimos tanta gente chegar a este espaço sui generis da Madeira e a intenção nunca é a Madeira e os madeirenses. Historicamente, a crítica mais feroz à maçonaria (e a outras ordens semelhantes) é que elas podem servir como uma rede de tráfego de influências. Na Madeira, onde a economia é pequena e dominada por alguns grupos fortes, a criação de uma nova Loja pode ser vista por muitos como um novo espaço para acordos de bastidores. Uma forma de solidariedade entre "irmãos" que se sobrepõe ao mérito ou à livre concorrência. O reforço do tal "lóbi" que garante que os grandes contratos e decisões fiquem sempre "em família". Vemos a intromissão de um "mediador" na máquina oleada? Que não seja mais um ARMAS ou um LIDL, eles comem tudo e não deixam nada a ninguém...
A notícia refere que a Maçonaria procura ser um "farol de conduta". O argumento é que trazem ética para a decisão. Temos um partido chamado CDS que ia fazer o mesmo e está pior do que o PSD, para ser claro. Mas, e no entanto, o contra-argumento é que, numa região com uma economia tão dependente do setor público e de monopólios de facto (energia, transportes, obras públicas), qualquer organização que reúna decisores à porta fechada levanta suspeitas de cartelização política.
Desde quando é que a Maçonaria é um Elevador Social para a sociedade, não é antes uma muralha à seleção natural e a intromissão dos seus à força nos lugares de decisão? Ninguém vem para controlar com maus modos, por isso um espaço de livre-pensamento e desenvolvimento espiritual cai bem.
O que tem piada no "elevador" é que só entra quem já conhece quem lá está dentro. Se a economia já é "encerrada nos mesmos quadros", a entrada de uma nova estrutura de poder pode ser lida não como uma abertura à sociedade, mas como uma atualização do sistema de castas local.
Numa terra onde "toda a gente se conhece", o segredo (ou discrição) é uma arma de dois gumes. Enquanto os maçons defendem o direito à privacidade, o cidadão comum, cansado do populismo e dos favores, tende a exigir transparência total. A existência de elites organizadas, sejam elas mistas ou não, será sempre vista com desconfiança enquanto o acesso às oportunidades económicas na Madeira não forem verdadeiramente democratizadas.
A notícia, ou publicidade, tenta vender a ideia de "filantropia" e "valores", mas aponta para a "realpolitik" da ilha. Se esta nova Loja vai servir para abrir a economia ou para consolidar ainda mais o poder dos mesmos de sempre, só o tempo (e o escrutínio de espaços como o seu) o dirá. Vai abrir ao ARMAS e ao LIDL, a famílias que estão fora do poder, aos marginalizados do modelo económico... ???
Será que esta abertura "mista" e mais pública é uma tentativa de legitimação face a um crescente sentimento anti-elite na Madeira?
Nota #1: sem saber das intenções do JM, felicito a jornalista pelo artigo, é que pelo menos vai mexer...
Nota #2: Madeira Opina, não aceitem a proposta de financiamento por um ano do formulário, isso deve ser de doações de várias pessoas, é altura da opinião pública ser adulta e se deixarem de intoxicações.
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