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Claro que todos os obcecados pelo lucro fácil não querem ver isto, não se importam com nada nem dão valor à história do Funchal e da Madeira. Alguns jogam à cara que assim o Funchal e a Madeira tem rejuvenescido e reabilitado património edificado. O problema é que é tudo dirigido ao mesmo, o turismo, e assim gera-se a gentrificação.
Hoje o DN traz um retrato perfeito e cruel da velocidade avassaladora com que a gentrificação e a "turistificação" estão a engolir a identidade do Funchal. O título, "Mais uma loja de souvenirs", não é apenas uma constatação, é um desabafo sobre a morte de um património que não volta. Ninguém se está a preocupar com a história desta cidade. Isso tem valor, identifica e cria diferenciação.
O artigo detalha o destino da Tipografia Comercial, na Rua da Queimada de Cima, e serve como um estudo de caso sobre como a Madeira está a mudar a um ritmo frenético, a velocidade do "rasto de destruição" cultural.
Uma oficina fundada em 1957, que utilizava caracteres de chumbo e máquinas históricas (como a Heidelberg de 115 anos), está prestes a tornar-se num espaço genérico para turistas. O comércio tradicional, que servia a comunidade local com "cartões de visita" e "guias de remessa", perde o lugar para o lucro imediato do brinde "made in China".
A ex-directora do Museu Vicente's, Maria Helena Ferraz Araújo, faz um alerta grave, o centro histórico está sob uma pressão turística que não respeita a história. O imóvel está à venda após insolvência, e o espólio, as máquinas que faziam parte da alma da cidade, corre o risco de se dispersar ou desaparecer.
Mas há mais história a desaparecer, algum "colado" à Sé.
O texto menciona que o espaço, agora silencioso e em risco de perder a identidade, é o próximo alvo de um "outro empreendimento". É este o ciclo da gentrificação acelerada na Madeira, o negócio local morre, o edifício degrada-se, o investidor compra e o resultado é um centro histórico que parece um "parque temático" para visitantes, descaracterizando o Funchal.
Existe uma citação no final do artigo que é demolidora, "Os turistas passam, olham para os prédios, ficam espantados e veem muito património degradado." Esta leitura associa a evolução do tecido comercial à descaracterização progressiva do centro histórico. Não é apenas uma mudança de loja, é a eliminação das referências da memória coletiva dos madeirenses.
O meu texto visa ressalvar o seguinte, e parece de propósito, não há mecanismos de proteção do património e do comércio local (como a classificação de bens), o Funchal corre o risco de se tornar uma cidade sem alma, onde os residentes são figurantes num cenário montado para o consumo rápido.
Paralelamente a isto, uns indivíduos sem categoria querem tornar o Funchal um bar aberto 24h/7
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