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Já esqueceram o 20 de fevereiro?

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H

á acontecimentos que ficam marcados na memória coletiva dos madeirenses, como a tragédia de 20 de fevereiro. Na altura era apenas uma criança e não tinha noção da gravidade. Hoje, como adulto, consigo perceber bem o impacto que teve e a importância de prevenir situações semelhantes.

Relativamente ao novo caminho no Beco do Granel (entre o Caminho da Barreira e o Caminho do Trapiche), reconheço que a ideia base é positiva, ao melhorar a circulação e acessibilidade na zona. No entanto, existem problemas sérios que não podem ser ignorados.

Um dos principais diz respeito ao ribeiro junto à nova ponte. Após os acontecimentos de 20 de fevereiro, ficou evidente a necessidade de requalificar e corrigir o curso do ribeiro, algo que não foi devidamente feito. A atual solução apresenta uma passagem de água claramente subdimensionada, com um traçado desalinhado, o que poderá comprometer o escoamento em situações de chuva intensa.

É difícil compreender como, após o que aconteceu, se continuam a verificar falhas tão básicas ao nível da geometria e do dimensionamento da passagem de água. Face ao histórico da zona, esperava-se claramente um maior rigor técnico.

Isto levanta preocupações legítimas quanto ao risco de acumulação de detritos, possíveis obstruções e até deslizamentos de terras.

Por outro lado, há relatos de moradores sobre dificuldades e incoerências nos critérios aplicados às construções privadas, nomeadamente na recusa de garagens por alegado risco, enquanto a própria infraestrutura pública aparenta estar implantada em zona igualmente sensível.

Acresce ainda a falta de comunicação com a população local, que deveria ser parte integrante de qualquer intervenção desta dimensão.

Por fim, importa também referir o impacto visual e estrutural dos muros projetados, que, segundo relatos, serão de dimensão desproporcional para o local, criando uma barreira artificial que pouco se enquadra na paisagem mais próxima de um cenário exagerado do que de uma solução integrada e equilibrada.

Reforço: a melhoria do acesso é bem-vinda, mas não pode ser feita à custa da segurança, da coerência e de soluções mal executadas. Ainda há tempo para corrigir o que está mal mas é preciso vontade para ouvir quem vive no terreno.




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