Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

O "adeus" de Bruno Melim

Moderação 0


O

 discurso de Bruno Melim no último congresso do PSD Madeira foi um retrato fiel da sua longa permanência à frente da JSD Madeira: politicamente calculado, formalmente irrepreensível, mas profundamente vazio. Uma sucessão de frases feitas, sem ideias novas, sem rasgo, sem visão. Ainda assim, no meio da "espuma retórica", ficou uma certeza: não continuará como presidente após dez anos. Dez anos! Um ciclo que, em qualquer estrutura jovem, deveria significar renovação. Aqui, significou estagnação.

Mas há outra certeza, menos declarada e bem mais inquietante: a sucessão está longe de ser uma verdadeira escolha. Tudo indica que o próximo líder será apenas uma extensão de Bruno Melim, uma sombra política, um vassalo do seu pensamento, alguém escolhido para garantir que a sua influência permanece intacta mesmo depois de sair formalmente de cena.

Fala-se de vários candidatos. É verdade. Mas a pluralidade é apenas aparente. Porque todos eles partilham a mesma origem, a mesma lógica de dependência e o mesmo problema de fundo: são produtos de um sistema fechado. E, diga-se com frontalidade, todos aqueles que na JSD Madeira tentaram destacar-se verdadeiramente, com autonomia e pensamento próprio, acabaram afastados. Foram sendo “queimados” ao longo dos anos, um a um, sempre que ameaçaram sair da linha.

E perante isto, a pergunta impõe-se: terá a JSD Madeira algum futuro?

Olhando para os nomes que surgem na linha da frente, o cenário é pobre. Não há líderes, há continuadores. Jovens moldados exclusivamente dentro da máquina partidária, sem percurso fora dela, sem currículo sólido, sem conquistas reconhecidas, sem experiência no mundo real da Madeira( seja no setor público ou privado). “Meninos do partido”, treinados para ocupar lugares, mas não para liderar.

E volta a pergunta, ainda mais incómoda: existe entre eles alguém capaz de mobilizar uma geração de madeirenses? Alguém com vida para além da política, com reconhecimento fora dos corredores do poder, com provas dadas na sociedade real? Alguém que traga credibilidade, e não apenas lealdade?

A resposta, olhando para o que está à vista, é desanimadora.

E, no entanto, esses jovens existem na Madeira. Jovens com percurso, com carreira, com visão, com capacidade de liderança. Jovens que conhecem a Madeira real. Mas esses não fazem parte deste circuito. Não entram. Não contam. Porque Bruno Melim e o seu círculo sempre preferiram o controlo ao mérito, a fidelidade à competência, a sombra à luz.

O que está em marcha não é uma sucessão, é uma coreografia cuidadosamente montada para que nada mude.

E isso, para uma juventude partidária que deveria ser o motor de renovação política da Madeira, não é apenas um problema. É um sintoma claro de esgotamento.

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.