Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

O grande milagre do teleférico-ferry

Moderação 0


A nova rota para o sucesso regional.

H

oje, dia 1 de Abril de 2026, finalmente a luz da inteligência iluminou o Palácio de São Lourenço. Numa demonstração de que a nossa lógica regional é tão robusta que faria inveja a um pioneiro do absurdo, foi anunciado o plano final para resolver todos os nossos problemas: o "Teleférico-Ferry Transatlântico com Alojamento Local Suspenso".

Este projeto, financiado por verbas do PRR que "apareceram" subitamente numa gaveta onde se guardavam promessas eleitorais antigas, é de uma simplicidade brilhante. Já que o ferry para Portimão é uma espécie de fantasma que só aparece em anos de eleições, e o teleférico do Curral das Freiras está a demorar a ficar pronto por causa de uns pássaros que insistem em existir, o Governo decidiu fundir ambos. Vamos estender um cabo de aço de alta resistência desde o Pico do Areeiro até ao Algarve.

As cabinas não serão meros transportes. Serão unidades de Alojamento Local flutuante para nómadas digitais que queiram experienciar a "verdadeira" Madeira sem o incómodo de tocar no chão ou de conviver com residentes que reclamam de rendas. Miguel Albuquerque, num momento de lucidez absoluta, já garantiu que este bicho-papão da habitação se resolve suspendendo os turistas a 2.000 metros de altitude. É a solução perfeita: não ocupa terreno, não precisa de licença camarária e, se houver incêndio, o slide de 2.300 metros servirá para evacuar os clientes diretamente para uma piscina de vinho Madeira.

Quanto ao Novo Hospital, as obras foram convertidas num centro de estágios para os funcionários do casino, pois parece que diagnosticar a nossa economia exige mais sorte do que medicina. A renda da concessão deste cabo transatlântico será de 15 euros por mês, um valor que o Governo considera "justo e equilibrado" para não assustar o capital estrangeiro.

Se isto lhe parece mentira, é porque a sua lógica é tão limitada que não compreende o progresso. Enquanto uns contam tostões, nós estendemos cabos. Enquanto uns pedem casas, nós oferecemos vistas. Feliz Dia das Petas a quem ainda acredita que este barco, mesmo sem motor, algum dia chegará ao porto. A nossa sorte é que o ridículo não paga imposto de selo, caso contrário a Região estaria mais falida do que uma promessa de campanha em Maio.

Tags

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.