Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

O madeirense que adianta para as passagens vê o governo a infraestruturar privados

Moderação 0


Desde que ganhou as Regionais, Albuquerque acha que pode fazer tudo.
E tem razão, foi isso que a maioria do eleitorado disse.

H

oje acordamos com mais uma notícia fantástica das negociatas com dinheiro público. Infraestruturar privados com dinheiro público e ser a banca dos ricos com o suporte público. Caramba, só os madeirenses é que têm de adiantar o dinheiro para as passagens no Subsídio Social de Mobilidade.

A notícia sobre a concessão do Golfe da Ponta do Pargo por 30 anos é o exemplo acabado de uma política de socialismo para os ricos e capitalismo para o povo. Os miras não lhes chateia o socialismo? O que vemos aqui não é investimento público; é a entrega de um património geográfico único a interesses privados, depois do erário público ter "limpo" o terreno e preparado o caminho.

O madeirense não faz nada, iludido com o desenvolvimento que lhes limpou a vista toda.

O Governo Regional gasta milhões a expropriar terrenos, a desmatar e a infraestruturar uma zona protegida e virgem para, no final, entregar a exploração a um consórcio privado por três décadas. Só com os poderes do GR é que o privado conseguia chegar a isto! Aqui está a jogada. Uma vergonha porca. O erário público assume o risco ambiental e o custo da obra, enquanto o privado entra apenas para a fase de colheita do lucro. É o Estado a funcionar como uma empresa de consultoria e engenharia gratuita para o setor hoteleiro de luxo.

O madeirense não faz nada, iludido com os empregos mal pagos na zona que acabarão por descaraterizar tudo com a imigração. Destruíram a identidade da Ponta do Pargo e ainda não acabou! 

Ao alienar 145 mil m2 de terreno para a construção de dois hotéis de 5 estrelas, o Governo está a dizer aos madeirenses que a prioridade imobiliária não é quem precisa de teto, mas quem quer um fairway à porta.

O valor de 18,5 milhões de euros pela aquisição dos terrenos parece uma "pechincha" perante o potencial de valorização imobiliária de luxo naquela zona! Isto é enriquecer com o erário público. Mas calma, que no Faial vai ser igual!

O suporte público atua aqui como um avalista, o Governo cria a necessidade (o golfe) para justificar o negócio privado (os hotéis).

E cá vem o argumento requentado, a miragem dos empregos e a contrapartida irrisória, a notícia fala em "500 empregos" e receitas de milhões. No entanto, o que a história da Madeira nos ensina é que estes empregos são, na sua maioria, precários e de baixo salário (limpeza, manutenção, restauração), enquanto o lucro real voa para fora da freguesia. Depois ficam os imigrantes em maior quantidade do que os madeirenses. Aposta-se? O madeirense tem mesmo que desaparecer daqui a umas décadas. Está aqui um exemplo.

Uma taxa variável que começa em 5% sobre o volume de negócios é uma esmola para a Região, considerando o impacto ambiental e a perda de um território que era de todos!

A Ponta do Pargo era um dos últimos redutos de paisagem selvagem da ilha. Transformar aquele planalto num tapete verde de rega intensiva (numa ilha com crises de água no verão) para servir uma elite é, como diria em inglês, creepy. É uma visão de desenvolvimento pesada, que tresanda a anos 90 e ignora que o luxo de hoje deveria ser a natureza intacta, e não mais um campo de golfe igual a tantos outros no mundo.

O madeirense não faz nada!

Esta concessão é a prova de que o Governo Regional continua a governar para a fotografia do "Madeira de Excelência", ignorando que a verdadeira excelência seria ter um povo com poder de compra e uma paisagem preservada. Usar o dinheiro dos impostos de quem deixa produtos na caixa do supermercado para viabilizar hotéis de 5 estrelas na Ponta do Pargo é um insulto à inteligência e à carteira dos madeirenses.

Albuquerque está igual ao Presidente dos EUA! Louco!

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.