A dura realidade da agricultura na Madeira
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E chegou mais um dia desses.
Por detrás dos discursos oficiais que celebram um suposto "extraordinário desenvolvimento" da agricultura na Região Autónoma da Madeira, esconde-se uma realidade quotidiana que os homens e mulheres da terra conhecem demasiado bem. Longe dos palcos da Assembleia Legislativa e da propaganda institucional, o setor agrícola regional enfrenta uma crise estrutural profunda que ameaça a sua própria sobrevivência. Só se notará se um dia houver guerra e tivermos de produzir para este exagero de pessoas que cá meteram e só tivermos brita para comer.
A pressão imobiliária e o abandono dos terrenos
A narrativa do crescimento contrasta diretamente com a perda progressiva de solo agrícola. É por isso que Albuquerque mente com tecnologia? Qual neste relevo? Qual com a falta de apoio do GR aos desafios ddo agricultor no terreno? Qual com o custo da água para divergi-la para piscinas dos estrangeiros verdadeiramente acarinhados na área que Albuquerque zela? Sob o pretexto do desenvolvimento económico e turístico, vastas áreas de cultivo estão a ser engolidas pelo betão e pela especulação imobiliária. Onde antes se viam poios produtivos, surgem agora empreendimentos, moradias de luxo e estradas. A terra, que deveria garantir a sustentabilidade e a soberania alimentar do arquipélago, tornou-se mercadoria para a construção civil, empurrando a atividade agrícola para as margens. E as pessoas deixam-se enganar?
Rendimentos de miséria e falta de rejuvenescimento
Ser agricultor na Madeira continua a ser sinónimo de trabalho árduo com retornos financeiros miseráveis. Quem de facto trabalha a terra e enfrenta as intempéries recebe uma ínfima parte do valor final do produto. Margens de lucro esmagadas e custos de produção (como adubos, rações e água de rega) sucessivamente mais altos sufocam as pequenas explorações familiares. Com rendimentos tão baixos, torna-se impossível atrair as novas gerações, acelerando o abandono rural e o envelhecimento da população agrícola.
Cooperativas e setor público, apoio real ou redes de clientelismo?
Outro dos pontos críticos reside na gestão dos apoios e das estruturas associativas. Enquanto os governantes enumeram milhões de euros em fundos europeus e programas de apoio, os pequenos produtores queixam-se da excessiva burocracia e de uma distribuição de recursos que parece favorecer clientelismos. Há uma perceção crescente de que certas cooperativas e organismos foram transformados em autênticos "tachos" para colocação de amigos do regime e favores políticos, em vez de servirem como ferramentas eficazes de escoamento, valorização de preços e apoio técnico direto a quem precisa na lavoura.
Quebra na produção, doenças e impotência perante as alterações climáticas
Ao contrário do cenário idealizado de prosperidade, as produções agrícolas locais dão claros sinais de declínio. Festas não faltam, a produção sim, mais show off. O setor tem-se mostrado incapaz de responder de forma robusta às pragas e doenças que atacam culturas vitais, desde a banana às produções hortícolas. A isto somam-se os efeitos devastadores das alterações climáticas, visíveis na irregularidade das linhas de água, em períodos prolongados de seca e em fenómenos climatéricos extremos. O tempo fora de tempo. A falta de investimento em investigação científica adaptada à realidade da Região e a ausência de políticas públicas eficazes de mitigação deixam o agricultor desarmado perante as forças da natureza.
Vender uma imagem de sucesso e modernidade agrícola na Madeira serve os interesses de quem governa, mas insulta aqueles que, de sol a sol, lutam para não deixar morrer a tradição e o sustento da terra. A agricultura real na Madeira não vive um momento de "extraordinário desenvolvimento", vive, sim, um momento de resistência desesperada contra o esquecimento, a ganância imobiliária e a asfixia económica.
Albuquerque que se informe com o próprio irmão sobre o que se passa na vinha e no vinho. Pesquise a despesa de plantar e o rendimento auferido.
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