Este texto é para madeirenses.
Q
Vamos falar de russos e as suas estratégias de conquistas, depois pense em paralelismos locais.
O modelo clássico e multifacetado de anexação e assimilação forçada, frequentemente apelidado por historiadores e analistas políticos de "Russificação" ou "Guerra Híbrida de Ocupação" começa a ser evidente e até aplicada no ocidente, quando interesses económicos despreza os pobres em vez de lhes dar condições para crescer. Agora parece que todos querem a sua Riviera de ricos automáticos.
O método não é novo e claro, remonta ao Império Russo e à era Soviética, mas foi modernizado e refinado no século XXI (como se viu na Crimeia, em Donbas e noutras regiões ocupadas da Ucrânia, bem como na Geórgia/Transnístria em diferentes escalas).
Antes de entrarem os tanques, a Rússia prepara o terreno social e político, estruturado por fases, incluindo os mecanismos invisíveis e psicológicos que completam o plano.
Começam pela distribuição de passaportes russos a cidadãos de países vizinhos antes de qualquer invasão. Isto cria o pretexto legal interno de que a Rússia tem o "dever constitucional" de intervir militarmente para "proteger os seus cidadãos" no estrangeiro. É uma opção mais dura de encher um espaço de estrangeiros que superam em permanência a população local, mesmo trocando à semana, são sempre 2,2 milhões para 250 mil. Depois, os russos criam a narrativas de que a população local (especialmente a minoria russófona) está a ser discriminada ou corre perigo de "genocídio". Deve ser por isso que agora os madeirenses indignados por não terem governo a governar para si com a completa alteração do quotidiano com a gentrificação molesta tanto. Se eu fosse Putin eliminava logo essa minoria contra a "nova russofonia".
O ataque militar inicial foca-se muitas vezes na destruição de infraestruturas críticas. Isto força a fuga da população original (gerando refugiados), facilitando o controlo do território vazio. É a conquista militar e limpeza de terreno, cercar, destruir e despovoar, assim mais ao método ocidental e retirar meios de autosuficiência com vencimentos ridículos para o custo de vida e da habitação.
Os russos criam campos de triagem onde a população local é interrogada. Quem demonstra lealdade ao país de origem, tem ligações militares, ou é ativista/jornalista, é preso, torturado ou "desaparece". Eu diria que é um pouco como aqueles que contestam o turismo massivo e esta engenharia do modelo económico que não quer saber de madeirenses nem derramar o badalado PIB por todos.
Já foi aflorado, mas merece parágrafo próprio, a importação de população. O Kremlin incentiva ativamente cidadãos russos (médicos, professores, funcionários públicos e trabalhadores da construção) a mudarem-se para as zonas ocupadas, oferecendo salários elevados, subsídios e casas que foram abandonadas ou confiscadas aos locais. Um PDM, usucapião, os preços proibitivos, a falta de saídas profissionais, os oligarcas da construção a ordenar Governo e Câmaras à sua vontade é o quê?
Paralelamente, milhares de locais são deportados para regiões remotas da Rússia. Um dos pontos mais graves desta estratégia moderna é a transferência forçada e adoção de crianças, com o objetivo de apagar a sua identidade original, Eu às vezes fico a pensar se não conseguir viver na sua terra, porque o Governo impôs uma economia para estrangeiros endinheirados, turismo e "lavadores de massa" se não é uma deportação em massa, é que a demografia está já no Inverno e vamos ficar numa centena de milhar, e quem estudou pensou em nuances que pioram a situação? Onde andam os madeirenses que não se ouve na rua?
Avancemos na estratégia russa. O rublo é imposto como moeda única, as redes de telecomunicações locais são cortadas e substituídas pelas russas (com internet censurada pelo Roskomnadzor), e a banca local é banida. Tipo comunicação social e Mediaram? Tipo indivíduos pagos com dinheiro público para censurar, tipo empresas privadas do regime a bloquear sites como antigamente se compravam os jornais todos do continente? Falamos de zonas de exclusão monetária e económica, ser "jogado" para a periferia das periferias e até mesmo com o assalto aos terrenos para moradias com piscina e campos de golfe é o quê?
A Rússia também faz referendos de fachada, organiza votações rápidas, sob a mira de armas e sem qualquer escrutínio internacional, para legitimar a "anexação espontânea" perante a opinião pública interna russa. as eleições regionais legitimam o quê com tudo controlado, ameaçado, vergado, depende e iludido com cenouras baby?
A Rússia nas áreas anexadas rapta e destitui os autarcas e governantes locais que recusam colaborar , sendo colocados "fantoches" locais ou administradores vindos diretamente da Rússia. O que fazem os oligarcas locais com os membros do GR, empresas públicas, câmaras suas e até dos outros que não são mais do que gente condicionada. Para quem são as oportunidades e os concursos? O que faz a ALRAM e outros órgãos fiscalizadores?
Ainda temos a conversão cultural e identitária. Esta é a fase mais profunda, desenhada para que o território nunca mais possa voltar à origem. Pura e simplesmente acabar com as tradições por ostentação da maioria vigente que impõe culturas em vez de respeitar a da terra.
A Rússia faz a doutrinação escolar reversa, o currículo escolar é alterado em semanas. Os manuais escolares originais são queimados ou destruídos. Passa a ser obrigatório ensinar a história oficial russa, cantar o hino russo e militarizar as crianças através de organizações como a Yunarmia (Exército Jovem). O financiamento público a escolas privadas é o quê na Madeira? Já viram as condições delas comprou com as escolas públicas?
Eu diria que já estamos na erradicação linguística falta a visual, placas de trânsito, nomes de ruas e documentos oficiais são traduzidos pela Rússia para exclusivamente cirílico/russo. A língua local é banida do espaço público e administrativo. Porque não este passo na Madeira, dá muito na vista? 2,2 milhões a crescer para 250 mil a diminuir. Era o xeque-mate a essa "escumalhazinha" que ainda resiste orgulhosa de não sei o quê, nem com 3 olhos enxergam.
Mas os russos não se ficam por aqui e fazem o "armamento da religião". A Igreja Ortodoxa russa (fiel ao Kremlin) assume o controlo dos locais de culto, marginalizando ou proibindo outras ramificações religiosas que possam servir de foco de resistência moral. Em abono da verdade isto já está feito na Madeira e não é preciso mudar nada, tal como tem a JSD e TSD, a Igreja é outro braço armado do PSD.
Prosseguimos? Acha tudo isto teorias da conspiração? Vamos a outra se ainda não se tocou. A Rússia provoca a amnésia histórica. Destrói fisicamente monumentos, museus e arquivos históricos que comprovem que aquele lugar teve uma identidade independente antes da chegada da Rússia. O que será neste ocidente do Atlântico o historiador dos 3 calhamaços, o abate de quintas madeirenses e outros edifícios históricos para gaudio de oligarcas e especuladores de AL? O que será o jornalismo jeitoso e as notícias que se apagam? O que serão as narrativas de pura mentira repetidas incansavelmente para o revisionismo?
A estratégia russa não visa apenas conquistar a terra, mas destruir a memória do lugar. Quando o processo está concluído, a demografia mudou, as leis mudaram e a nova geração é educada para acreditar que aquele território "sempre foi Rússia".
E então, como anda a "sua" Madeira? Qual será o seu refúgio neste fim de semana, espero que encontre...
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