"Controlado" define os momentos de soberba de Albuquerque que dão para o torto.
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Na tarde de terça-feira, 9 de agosto de 2016, quando o fogo já lavrava intensamente nas zonas altas de São Roque e do Monte, Miguel Albuquerque veio a público afirmar que as chamas estavam "sob controlo" e que o combate ao incêndio estava "consolidado".
Poucas horas após essas declarações de tranquilidade, as condições meteorológicas pioraram drasticamente (vento forte e calor extremo). O fogo saltou todas as barreiras, desceu as encostas descontrolado e entrou mesmo pelo centro histórico e urbano do Funchal dentro.
O cenário transformou-se num autêntico inferno urbano durante a noite. O incêndio acabou por provocar 3 vítimas mortais (na zona da Pena). Cerca de 1000 desalojados/deslocados (incluindo a evacuação de hospitais, lares e hotéis como o icónico Choupana Hills, que ardeu por completo). Mais de 300 edifícios destruídos ou danificados.
O facto de o Presidente do Governo Regional ter garantido a meio da tarde que a situação estava controlada, para depois, à noite, a cidade viver a sua pior tragédia de fogos urbanos, gerou uma onda de indignação que dura até hoje.
A oposição (na altura liderada pelo PS de Paulo Cafôfo, que presidia à Câmara Municipal do Funchal, e pelo PCP de Edgar Silva) acusou fortemente Miguel Albuquerque de "irresponsabilidade", de camuflar a gravidade da situação por razões políticas (para não prejudicar a imagem turística) e de atrasar o pedido de ajuda de meios à República devido ao orgulho autonomista.
É por causa deste precedente específico de 2016 que a opinião pública madeirense reage de forma tão epidérmica e desconfiada sempre que ouve o Executivo dizer que uma catástrofe "está controlada" ou que "os meios são os adequados". O Funchal na linha de fogo ficou como o grande contra-exemplo dessa retórica.
Embora o próprio evite muitas vezes proferir a frase literal de forma isolada em conferências de imprensa formais, preferindo expressões técnicas como "a estratégia está a ser cumprida" ou "os meios são adequados", o jargão político e a oposição colaram-lhe esta premissa devido à sua postura sistemática de aparente tranquilidade perante as crises.
Durante a crise sanitária, Covid-19 (2020 - 2021), o termo "controlado" foi utilizado de forma recorrente pelo chefe do Executivo e pela sua equipa de saúde.
Em agosto de 2020, perante o surgimento de surtos na ilha vizinha, Albuquerque garantiu publicamente que "a situação no Porto Santo está controlada", descartando cadeias de transmissão locais ativas.
No início de 2021, em pleno período de restrições severas à população, gerou-se uma enorme polémica em torno de um repasto com sandes de carne de vinha d'alhos em que Albuquerque e membros do governo participaram no Mercado dos Funchal. As crónicas políticas da época ironizaram fortemente o facto de, para o Governo, estar sempre "tudo controlado" enquanto se exigiam sacrifícios extraordinários aos cidadãos comuns.
Albuquerque não aprende com incêndios e repetiu a dose nos grandes incêndios de agosto de 2024. Este foi o momento em que a narrativa do "está tudo controlado" gerou maior contestação, especialmente porque com a ilha a arder estava a banho no Porto Santo.
Numa fase em que o fogo lavrava intensamente na Ribeira Brava (Serra d' Água), Câmara de Lobos e avançava para o Pico Ruivo, Albuquerque manteve as suas férias no Porto Santo. Quando confrontado pela opinião pública e pela oposição (com críticas duras de Paulo Cafôfo do PS, que o acusou diretamente de manter uma atitude irresponsável de que "está tudo controlado"), o presidente recusou inicialmente o reforço de meios aéreos e terrestres da República.
Albuquerque afirmou repetidamente que os meios no terreno eram "os adequados", que a estratégia adotada pelas chefias militares e pela Proteção Civil era "a mais acertada" e que a situação estava a ser gerida de forma técnica e eficaz, menorizando o alarme da população.
Tudo controlado!
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