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Embora a macroeconomia regional exiba números de crescimento, o orçamento das famílias madeirenses está sob uma pressão asfixiante. O aumento brutal do custo da habitação (seja no crédito ou no arrendamento), a subida dos preços nos bens alimentares e os custos energéticos absorvem a fatia esmagadora dos salários. Quando o rendimento disponível encolhe para cobrir o essencial, o "extra" destinado ao lazer e às férias é o primeiro a ser cortado.
Verdade ou mentira? Porque não se aborda assim o assunto?
Apesar da existência do Subsídio Social de Mobilidade, o modelo atual obriga os residentes a adiantar o valor total das passagens aéreas, que muitas vezes atinge preços astronómicos nas épocas altas devido à lei da oferta e da procura. Para uma família média madeirense, adiantar milhares de euros por quatro passagens para só mais tarde ser reembolsada é um esforço financeiro incomportável. Viajar tornou-se um luxo de logística financeira complexa.
A própria reportagem da RTP Madeira menciona que destinos como Cabo Verde e as Ilhas Baleares surgem como novidades na procura. Isto acontece porque, ironicamente, para um madeirense, pacotes fechados de charters (voos diretos com tudo incluído) para determinados destinos internacionais ou espanhóis conseguem ser mais económicos e previsíveis do que planear férias dentro do próprio território nacional ou dependendo de ligações complexas, forçando a escolha apenas por opções onde o euro estique mais.
Esta retração nas férias expõe o contraste entre o discurso político de "prosperidade" e a vida real. Aqui não é como o valor do PIB, as pessoas conta e estão "tesas". Aqui a quantidade de pessoas manda na realidade.
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