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Ponto da situação, porque temos mais cancros e menos sucesso? O que temos nos nossos hábitos para que isto aconteça e porque não temos mais sucesso. Creio que a resposta mais fácil está na qualidade dos serviços hospitalares, onde muito de fala de atrasos em tratamentos, máquinas avariadas e falha de stocks em medicamentos. Sobre a formação não me atrevo a avaliar.
Estes números alarmantes desmontam qualquer narrativa propagandística de que temos "a melhor saúde do país". Como madeirense, recuso-me a aceitar que o facto de nascer e viver numa ilha signifique ter menos probabilidades de sobreviver a uma doença oncológica do que um cidadão do Norte ou do Centro Continental. É falacioso e cobarde sacudir a água do capote responsabilizando apenas a biologia ou a suposta falta de atenção dos doentes aos sintomas.
Se a sobrevivência é menor, é porque falhamos coletivamente naquilo que é estrutural, a deteção precoce, a celeridade no agendamento de consultas de especialidade, a realização atempada de exames de diagnóstico e o início imediato dos tratamentos.
Miguel Albuquerque, tens aqui uma bela razão para ter investido o PRR e desviado o dinheiro dos campos de golfe. Claro que decides de ânimo leve, porque tu vais "ver a máquina lá fora".
A Autonomia, que tanto defendemos e pela qual lutámos, serve precisamente para gerirmos a nossa casa com maior proximidade e eficácia. Mas gerir não é gastar milhões em betão enquanto as listas de espera empurram os doentes para uma corrida desmedida contra o tempo. O relatório do RON deixa claro que a diferença entre a vida e a morte está associada à precocidade do diagnóstico. Enquanto continuarmos a normalizar o compasso de espera de meses por uma endoscopia, por uma colonoscopia ou por uma consulta de especialidade no SESARAM, continuaremos a arrastar este doloroso recorde nacional de óbitos.
Exige-se uma auditoria séria e urgente às causas desta assimetria e um investimento maciço na medicina preventiva e na resposta oncológica, sob pena de transformarmos o nosso serviço de saúde num mero gestor de cuidados paliativos.
É hora de colocar profissionais a gerir a Saúde e acabar os influenciadores numa Saúde privada. Já nos bastam as negociatas porque os resultados não se estão a ver. Num hospital trabalha-se todos os dias, não só dias úteis...
- https://www.sesaram.pt/portal/cidadao/outras-informacoes-cidadao/ron-registo-oncologico-nacional
Estatísticas Globais do IPO Porto: os estudos epidemiológicos e os relatórios de atividade oncológica (incluindo as monitorizações da população e tratamento de dados históricos) estão centralizados no portal de ensino e investigação através do link corrigido:
- https://ipoporto.pt/ensino-investigacao/
IPO Porto — Ensino e Investigação (A partir daqui, basta navegar até à área de Epidemiologia ou publicações).
Plataforma de Estatísticas de Saúde (SNS): para comparar as assimetrias regionais (Madeira vs. Continente) e descarregar relatórios oficiais de mortalidade e incidência oncológica em PDF, o Ministério da Saúde disponibiliza o repositório central:
- https://transparencia.sns.gov.pt/pages/home-page/
Portal da Transparência do SNS — Saúde em Números
Dados Específicos da RAM: como a Madeira centraliza os seus dados em articulação com o RON, o histórico local de mortalidade e taxas brutas por tumores malignos pode ser descarregado nos boletins anuais em formato PDF diretamente no portal de estatísticas oficial da região:
- https://estatistica.madeira.gov.pt/
DREM — Direção Regional de Estatística da Madeira (Pesquise na secção de "Estatísticas Sociais / Saúde").
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