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A sintonizar estações...

O cancro da Saúde

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Q

uem abre as páginas do JM depara-se com um murro no estômago que devia fazer tremer os gabinetes do GR, sobretudo do Serviço de Saúde da RAM. Se os dados da Direção Regional de Estatística já nos vinham alertando para o facto do cancro ter destronado as patologias cardiovasculares, assumindo-se como a principal causa de morte na Madeira, o recente relatório do Registo Oncológico Nacional (RON) expõe uma realidade ainda mais cruel e intolerável, a nossa taxa de sobrevivência após cinco anos é de apenas 59%, a mais baixa de Portugal e uns dramáticos sete pontos percentuais abaixo da média nacional. No cancro do estômago, o cenário roça o catastrófico, com o arquipélago a registar uns míseros 24,9% de sobrevivência contra os 43,3% do todo nacional.

Ponto da situação, porque temos mais cancros e menos sucesso? O que temos nos nossos hábitos para que isto aconteça e porque não temos mais sucesso. Creio que a resposta mais fácil está na qualidade dos serviços hospitalares, onde muito de fala de atrasos em tratamentos, máquinas avariadas e falha de stocks em medicamentos. Sobre a formação não me atrevo a avaliar.

Estes números alarmantes desmontam qualquer narrativa propagandística de que temos "a melhor saúde do país". Como madeirense, recuso-me a aceitar que o facto de nascer e viver numa ilha signifique ter menos probabilidades de sobreviver a uma doença oncológica do que um cidadão do Norte ou do Centro Continental. É falacioso e cobarde sacudir a água do capote responsabilizando apenas a biologia ou a suposta falta de atenção dos doentes aos sintomas.

Se a sobrevivência é menor, é porque falhamos coletivamente naquilo que é estrutural, a deteção precoce, a celeridade no agendamento de consultas de especialidade, a realização atempada de exames de diagnóstico e o início imediato dos tratamentos.

Miguel Albuquerque, tens aqui uma bela razão para ter investido o PRR e desviado o dinheiro dos campos de golfe. Claro que decides de ânimo leve, porque tu vais "ver a máquina lá fora".

A Autonomia, que tanto defendemos e pela qual lutámos, serve precisamente para gerirmos a nossa casa com maior proximidade e eficácia. Mas gerir não é gastar milhões em betão enquanto as listas de espera empurram os doentes para uma corrida desmedida contra o tempo. O relatório do RON deixa claro que a diferença entre a vida e a morte está associada à precocidade do diagnóstico. Enquanto continuarmos a normalizar o compasso de espera de meses por uma endoscopia, por uma colonoscopia ou por uma consulta de especialidade no SESARAM, continuaremos a arrastar este doloroso recorde nacional de óbitos.

Exige-se uma auditoria séria e urgente às causas desta assimetria e um investimento maciço na medicina preventiva e na resposta oncológica, sob pena de transformarmos o nosso serviço de saúde num mero gestor de cuidados paliativos.

É hora de colocar profissionais a gerir a Saúde e acabar os influenciadores numa Saúde privada. Já nos bastam as negociatas porque os resultados não se estão a ver. Num hospital trabalha-se todos os dias, não só dias úteis...

  • https://www.sesaram.pt/portal/cidadao/outras-informacoes-cidadao/ron-registo-oncologico-nacional

Estatísticas Globais do IPO Porto: os estudos epidemiológicos e os relatórios de atividade oncológica (incluindo as monitorizações da população e tratamento de dados históricos) estão centralizados no portal de ensino e investigação através do link corrigido:

  • https://ipoporto.pt/ensino-investigacao/

IPO Porto — Ensino e Investigação (A partir daqui, basta navegar até à área de Epidemiologia ou publicações).

Plataforma de Estatísticas de Saúde (SNS): para comparar as assimetrias regionais (Madeira vs. Continente) e descarregar relatórios oficiais de mortalidade e incidência oncológica em PDF, o Ministério da Saúde disponibiliza o repositório central:

  • https://transparencia.sns.gov.pt/pages/home-page/

Portal da Transparência do SNS — Saúde em Números

Dados Específicos da RAM: como a Madeira centraliza os seus dados em articulação com o RON, o histórico local de mortalidade e taxas brutas por tumores malignos pode ser descarregado nos boletins anuais em formato PDF diretamente no portal de estatísticas oficial da região:

  • https://estatistica.madeira.gov.pt/

DREM — Direção Regional de Estatística da Madeira (Pesquise na secção de "Estatísticas Sociais / Saúde").

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