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Para o "advogado" da massificação do turismo.

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Normalmente, o sistema, o poder, os que lucram com o errado, os governantes marionetas que temos e seus seguidores, repetem infinitamente a narrativa até cansar e a malta desistir. Isso não vai acontecer comigo que ando a dar respostas sobre alguém que faz advogado do turismo massificado que todos nós, população comum, sente e de que maneira na pele. Se o madeirense vê tudo errado à sua volta e ainda quer aceitar estes erros de governação, então nada a fazer, mas a fatura vai aparecer!

A Anatomia do Cinismo Intelectual. Sobre overtourism.

A

 tentativa do "sistema" de separar o turista do modelo é o truque supremo da dialética de distração. É um exercício de sofística que reconhece os sintomas (pressão na habitação, água, salários) apenas para validar a continuação da doença.

O argumento de que o problema é a "ausência de regras" e não a presença massiva de pessoas é uma armadilha lógica. Em ecossistemas insulares e frágeis, o volume é a variável que define a gestão. Propor "gestão" enquanto se defende o fluxo ilimitado é como tentar esvaziar o oceano com uma colher de chá enquanto a maré sobe. Chamar "histeria" à defesa da Capacidade de Carga é a forma que o sistema encontra para "patologizar" quem usa a aritmética básica para denunciar o colapso.

O autor da defesa tenta transformar um debate económico sério num "preconceito contra a mochila". É um golpe baixo e populista.

Não se critica a conta bancária do visitante, mas sim o valor acrescentado nulo de um modelo que consome bens públicos escassos (limpeza, segurança, água, trilhos) sem os remunerar devidamente.

A Inversão: Rasca não é a mochila; rasca é o sistema que utiliza o "turismo de tostões" para inflacionar estatísticas de ocupação, servindo apenas aos grandes grupos de distribuição e transportes, enquanto empurra o pequeno negócio local para uma luta inglória por migalhas.

Diz o visado que culpar o turista é uma "saída fácil". Pelo contrário! A saída mais fácil, e a mais lucrativa para os oligarcas, é a narrativa de que "está tudo bem, precisamos é de mais inteligência".

A indignação da população não é "raiva inútil"; é o único sinal de alerta num sistema onde as instituições de planeamento foram capturadas. O sistema não "respira" quando se aponta o dedo ao fluxo; o sistema treme, porque o seu modelo de extração depende da passividade dos residentes.

O autor pede para "mexer na estrutura", mas protege o fluxo que alimenta essa mesma estrutura de concentração de riqueza. É uma contradição absoluta. Não se muda a estrutura económica de uma ilha mantendo o vício da massificação.

Concluo, dignidade não é aceitar o papel de figurante grato numa ilha transformada em corredor de passagem. Dignidade é exigir que o território pertença, primeiro, a quem nele trabalha e vive.

Rasca é o argumento que pede "debate inteligente" para ganhar tempo, enquanto a paisagem é vendida, a água racionada e o residente convidado a retirar-se por falta de "liquidez". O truque cansou, a Madeira não precisa de "gestores de fluxo", precisa de líderes com coragem para dizer "basta".

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