O profeta da treta
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Afinal, a insensibilidade social que marcou aquele período de "ir além da troika", em que os cortes eram virtude e o empobrecimento era uma inevitabilidade, parece querer regressar de roupagem renovada. Onde antes havia folhas de cálculo frias e tecnocratas de fato cinzento, há agora uma aliança informal de conveniência com o populismo.
Pelo meio desta dança de cadeiras e de afetos trocados, surge outra dinâmica digna de registo. Basta o Partido Socialista dar sinais de recuperação ou crescimento nas sondagens para que, como por artes mágicas, surja uma torrente coordenada de novos casos, suspeitas requentadas e fugas de informação cirúrgicas. Será tudo fruto do mero acaso jornalístico e judicial, ou haverá uma mão invisível a guiar o espetáculo? Eu diria que parece coisa de anão manhoso.
Nos bastidores da política de café, há quem aponte o dedo à criatividade obsessiva do anão da propaganda suja, aquela figura figurada que habita nos gabinetes de comunicação de guerrilha e do lobbying, especializada em lançar lama para tapar qualquer debate sério sobre o país. O objetivo é claro, descredibilizar a alternativa à força, baralhar as agulhas do relógio político e garantir que o debate público não se faça sobre habitação, saúde ou salários, mas sim sobre o folhetim do dia. Ele ganha dinheiro com isto, só uma frente o sustenta.
Quem promove a insensibilidade social neste momento de incerteza e tenta descredibilizar a opção que tendencialmente as pessoas preferem nas crises?
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