Os bons costumes que a rotina esmagou
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Infelizmente, a dita "normalidade" trouxe de volta os velhos vícios. Numa altura em que se discute o Pacote Laboral que visa esmagar os trabalhadores, podemos assistir como nos esquecemos rapidamente de como a flexibilidade laboral (positiva) atenuava despesas brutais ao final do mês, devolvia horas de vida que hoje são desperdiçadas em filas intermináveis e limpava o ar que respiramos. Mais do que isso, o teletrabalho tinha o poder de acabar com a cultura do "beija-mão" a chefes mesquinhos, aquela gente cuja única autoridade na vida é gerir a chave da retrete e controlar o minuto exato em que o funcionário se levanta da secretária. O trabalho focado nos objetivos substituiu, temporariamente, o medidor de presencialismo bacoco que depois premeia com o SIADAP os amigos que podem fazer o que querem e entendem
Escrevo para um elogio, é precisamente neste ponto de rutura que importa destacar a excelente e oportuna iniciativa do PS Madeira, encabeçada pela deputada Sílvia Silva. Numa região marcada pela insularidade, pela dependência extrema de combustíveis fósseis importados e por uma gritante saturação da rede viária (com estradas secundárias e vias rápidas constantemente bloqueadas nos acessos ao Funchal), a proposta socialista de reintroduzir o teletrabalho nos serviços públicos de forma estruturada é de um pragmatismo exemplar. Caramba, teletrabalho é só para as safadezas de controlar as redes sociais e sites?
Propor o teletrabalho como ferramenta de política pública é aliviar diretamente o custo diário de deslocação dos trabalhadores. Alinhado com as diretrizes da Comissão Europeia, o PS Madeira assume a liderança do debate sobre a transição energética e a mobilidade na Região, oferecendo uma solução imediata para reduzir a pegada ecológica e o desgaste das infraestruturas rodoviárias regionais.
Ao propor modelos híbridos para a administração direta, indireta e setor empresarial regional, incentivando também o setor privado, o PS Madeira não está apenas a tentar poupar combustível, está a tentar resgatar a qualidade de vida, o mérito real e a autonomia do tempo dos trabalhadores madeirenses, combatendo o imobilismo de um sistema que insiste em viver no século passado. Uma Madeira mais resiliente e justa constrói-se com esta maturidade política. Não num modelo arcaico que visa "controlar".
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