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Até quando a Madeira será dos madeirenses?

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Jardim: a Madeira será o que os madeirenses quiserem!
Albuquerque: era!

D

epois de tantos inimigos externos forjados, não é que os verdadeiros inimigos são os do nosso sangue?! A Madeira vive um boom económico inegável, muito impulsionado pelo turismo recorde, a atração de nómadas digitais e os investimentos imobiliários de luxo. Contudo, este "sucesso" esconde um reverso da medalha cruel, os residentes locais, especialmente os jovens e a classe média, estão a ser empurrados para fora das principais centralidades (como o Funchal) devido aos preços proibitivos das rendas e da compra de casa. Eu até estou a ser positivo, na verdade, os jovens estão a emigrar como nunca, os que têm mais idade, com uma habitação em condições de outras eras vão ficando, mas aqueles que têm renda é um perigo iminente.

Há tempos li um texto no Madeira Opina que dizia, com razão, que fenómeno anormal da participação social em eventos, concertos, etc, (de onde vem o dinheiro?) deve-se ao facto das pessoas terem desistido de sonhos, ambições e objectivos para viver simplesmente a vida. É o mata-mata do Inverno Demográfico.

Não sei porque existe uma discrepância salarial vs. custo de vida gritante e as pessoas deixam-se ficar. É medo, é vergonha, é desconhecimento, não percebo. Como os salários médios na Região não acompanham a escalada inflacionária do mercado imobiliário, inflacionado por poder de compra estrangeiro, não sei do que estão à espera, acham que isto vai mudar? Não creio.

Não sei como vai evoluir o fenómeno do Alojamento Local (AL) com estas novas regras que vemos, mas o que sei é que no terreno, a folia da construção para este negócio prossegue igual. Eu percebo o interesse de todos, mas onde está o Governo a fazer o seu papel? O equilíbrio é delicado entre o direito dos proprietários a rentabilizarem os seus imóveis e a necessidade de habitação a custos acessíveis para arrendamento de longa duração.

O nosso Governo é de muitos anúncios, e empolam as iniciativas que não dão para preencher um buraco dum dente. Analisar se as medidas de habitação pública (como os programas do IHM) e os incentivos aos privados são suficientes ou se servem apenas para "tapar o sol com a peneira"?

Em poucos anos a Madeira está a mudar radicalmente, não é para melhor, está descaracterizada, a qualidade de vida morre, mas o que me faz mais impressão é como o Governo ignora o madeirense. Ainda é preciso cortar nos exames médicos, não há dinheiro para obras em estradas com derrocadas, mas depois há para golfes, toast, ir duas vezes aos EUA numa semana. O risco de transformar os centros urbanos em "disneylandias" turísticas sem vida comunitária real, onde os locais passam a ser meros prestadores de serviços em vez de habitantes está a acontecer e o Funchal está a perder personalidade com os AL's e negócios para servir turistas. Vamos ser mais uns iguais a tantos destinos.

Precisamos de políticos que pensem tudo isto de outra maneira e acabar com estas eternas prioridades de servir certos empresários. A nossa existência está em causa!

O madeirense vai desaparecer. Está a desaparecer. A previsão dos madeirenses para metade da quantidade vai ser como as alterações climáticas, a situação vai acelerar para pior.

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