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Portugal

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Nota: desculpem o calendário em espanhol, foi o melhor que consegui.

N

ão vou entrar no cliché do Ronaldo, mas Portugal tem outras soluções de ataque mais móveis. A mobilidade gera confusão na área, a imobilidade facilita as defesas. Eu gostava de ver concretizada aquela máxima, a melhor defesa é o ataque, é de ficar algo incrédulo sabermos que partimos do pressuposto de ter excelentes jogadores, mas não produzirmos jogo para golo, é sempre muito amarrado no meio campo. Temos desequilibradores, mas não temos desequilíbrio. Se calhar é a tática.

Será que Portugal escolheu o segundo lugar? Ficando no primeiro lugar havia certamente outras boas seleções pela frente, mas a mais destacada é a Argentina. Assim, se ganharmos à Croácia, podemos apanhar a Espanha, e se ganharmos à Espanha virão umas das quatro ... Estados Unidos, Bosnia Herzegovina, Bélgica ou Senegal. Mas depois vem quase todos os tubarões. No lado da Argentina, a sequência seria mais favorável, teoricamente.

Olhando atentamente para a árvore de competição percebe-se que esta aparente "estratégia" de evitar o lado teoricamente mais acessível da Argentina nos pode custar muito caro a curto prazo. O futebol moderno não perdoa calculismos de secretaria. Ao cairmos nesta metade do quadro, o nível de exigência física e mental sobe logo de tom no segundo jogo. É um autêntico corredor da morte europeu onde qualquer erro de palmatória nos manda de volta para casa mais cedo, antes sequer de cheirarmos as meias-finais.

A verdade é que, ao analisarmos o emparelhamento, fica claro que a nossa Seleção prefere o pragmatismo cinzentão ao risco assumido. Se a tática continuar a ser esta apatia amarrada a meio-campo, contra blocos defensivos compactos como o da Croácia ou a vertigem espanhola, as nossas individualidades vão passar o tempo a pregar no deserto. O talento só desequilibra quando há uma estrutura coletiva que o potencialize. sem dinâmica de rotatividade na frente, somos um alvo fácil e previsível para qualquer central medianamente inteligente.

Resta saber se este grupo tem a estofo e a coragem necessária para inverter o rumo das exibições cinzentas que temos visto até aqui. Ganhar competições desta dimensão exige assumir o favoritismo e impor o nosso futebol, em vez de ficarmos a especular com tabelas e caminhos supostamente mais favoráveis. Está na hora da equipa técnica soltar as amarras, deixar os desequilibradores fazerem o seu trabalho com liberdade e provar em campo que Portugal não joga para o segundo lugar, mas sim para vencer qualquer tubarão que se atravesse no caminho. Precisamos de ganhar tubarões para acreditar.

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