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Os madeirenses estão a ser expulsos da Madeira.

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Cada vez se ouve menos madeirenses.

A

 realidade de quem trabalha na Madeira hoje em dia é carregar a frustração de ver a sua própria terra tornar-se um lugar onde já não consegue viver. Para quem sempre conheceu a precariedade de contratos a prazo, recibos verdes e salários que teimam em não sair do salário mínimo, a situação atual não é apenas difícil, tornou-se insustentável graças ao PIB do Albuquerque. O sentimento de impotência agrava-se quando percebemos que o sistema encontrou uma forma de perpetuar esta miséria laboral, substituir os trabalhadores precários locais por outros ainda mais vulneráveis, os imigrantes. A par disto vivemos um tempo de Pacote Laboral que ainda quer piorar as coisas.

A sério que esta gente governa para madeirenses... portugueses?

Não se trata de xenofobia, mas sim de constatar uma estratégia económica impiedosa que está a mudar a passos largos a estrutura social da Madeira. Temos milhões de turistas e "cheap people" para prestar-lhes serviços... e o Albuquerque fala de PIB's. Quando o trabalhador madeirense tenta bater o pé por melhores salários, por um contrato justo ou por horários dignos, a resposta do patronato surge disfarçada de "falta de mão de obra". A solução encontrada não foi valorizar quem cá está, mas sim abrir as portas a fluxos migratórios dispostos a aceitar o que o madeirense já não consegue aceitar para sobreviver.

Os imigrantes, que chegam muitas vezes em situações de extrema necessidade e desespero, tornam-se o combustível ideal para este capitalismo feroz de baixos salários. Aceitam vencimentos de miséria e condições laborais precárias porque, na escala da sobrevivência deles, qualquer coisa serve para começar. O problema é que esta aceitação forçada nivela o mercado por baixo. O ordenado que já era baixo para o madeirense passa a ser o teto máximo que os empresários estão dispostos a pagar. Quem exige dignidade é simplesmente colocado de parte e substituído. Depois mandam bocas de que "não querem trabalhar" ou "falta mão se obra"... para os abusos que querem.

Esta dinâmica tem um impacto direto e devastador no custo de vida da ilha, com especial violência no mercado da habitação. O trabalhador local, que ganha pouco e tem uma família para sustentar, não consegue competir com os preços absurdos das rendas atuais. E é aqui que se dá o fenómeno ainda mmais perverso. Mesmo ganhando mal, os novos fluxos migratórios conseguem suportar rendas elevadas que um casal madeirense nunca conseguiria pagar. Como? Vivendo 10, 12 ou 15 pessoas na mesma casa, dividindo os custos ao ponto de transformarem quartos em autênticas camaratas.

Esta sobrelotação habitacional inflaciona artificialmente o mercado imobiliário. Os proprietários percebem que podem pedir mil ou mil e duzentos euros por uma casa degradada, porque haverá sempre um grupo de dez pessoas disposto a juntar-se para pagar esse valor. O resultado prático é a expulsão dos jovens e das famílias madeirenses das centralidades, empurrados para as periferias ou para a emigração, por não conseguirem competir nem na habitação nem no mercado de trabalho.

Assiste-se, assim, a uma descaracterização profunda da sociedade madeirense. Enquanto os grandes grupos económicos colados ao poder e o setor do turismo aplaudem a chegada de mão de obra barata, que mantém as suas margens de lucro intocáveis (PIB's), quem trabalha na base vê a sua terra a ser-lhe retirada tapete a tapete. O madeirense é encurralado entre o ordenado que não dá para viver e a impossibilidade de encontrar uma casa para morar, assistindo à transformação da sua ilha num parque de diversões para quem nos visita, sustentado por um ciclo perpétuo de precariedade que agora se alimenta da vulnerabilidade de quem vem de fora.

Há um profundo egoísmo na Madeira. Uma grande ganância dos poderosos munidos de poder. O madeirense é para desaparecer da sua terra. Obrigado Albuquerque e Jesus.

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