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A sintonizar estações...

Se queres dar um tiro na cabeça, continua a zurzir nas prestações sociais.

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A

 extrema direita, Passos Coelho, Montenegro e Albuquerque, falam de prestações sociais (de quem cai no infortúnio ou presta auxílio) com desdém, como se todos fossem uns ladrões que levam o subsídio para passar o dia na esplanada. Isto é uma forma de diabolizar conquistas sociais (cada vez menos com elegibilidades absurdas), elas suportam problemas da sociedade, é o que diferencia a Europa dos EUA. Experimentem lá viver uns tempos para saberem o que é ficar com dívidas quando se está doente e se deseja a morte para acabar o martírio. É assim mesmo! Tudo isto é uma estratégia para transformar o país em mais um capitalismo feroz sem respeito pela pessoa. Vemos neste desdém às prestações sociais, no pacote laboral e na unificação das reformas. As pessoas que embarcam nisto, ou que ficam caladas a ver os outros a zurzir por estratégia política, não fazem a mínima ideia da sua apatia o que significa. Podem querem que a continuar assim vão desejar a morte um dia.

Uma pergunta, porque semeiam discórdia entre as pessoas a este nível e, por exemplo, não diabolizam o POSEI? Porque não vamos todos acabar com a "mama" para o Governo Regional começar as se dedicar às pessoas em vez de se dedicar às obras?!

O debate em torno do Estado Social, das prestações de apoio público e do modelo económico que queremos para o país estão no centro da fratura política atual. A tensão entre a visão europeia de proteção social e o modelo de capitalismo feroz importado dos EUA e que uns defendem, levantam questões profundas sobre a dignidade humana e o papel do Estado. Eu não quero ser americano e muitos americanos estão a fugir para a Europa, não perguntam porquê? 

A retórica que cola o rótulo de "subsídio-dependência" ou "preguiça" a quem recorre ao apoio do Estado é uma estratégia perigosa. Transforma o infortúnio, seja a doença, o desemprego ou a invalidez, num fracasso moral individual, em vez de o tratar como uma vulnerabilidade a que qualquer cidadão está sujeito. Cuidado, você que diaboliza pode um dia, nem que seja por velhice, vir a precisar.

O modelo social europeu baseia-se na premissa de que a saúde, a segurança na velhice e o amparo na pobreza são direitos fundamentais, não caridade. É esta rede de segurança que impede que uma crise pessoal se transforme numa ruína absoluta. Antes de abrir a boca veja as estatísticas sociais da Europa e dos EUA. Não se deixem levar pelo ruído Trumpista dos seus segudores.

A ausência desta rede nos EUA empurra frequentemente as famílias para a falência por motivos de saúde. A mercantilização extrema de setores vitais transforma a sobrevivência num luxo acessível a alguns, gerando um cenário de desespero e desumanização. Você cai doente na rua e não entra no hospital sem seguro de saúde e pode morrer à vontade. É isso que deseja? E permite que esteja a ser implementado na Madeira?

Ao diabolizar as prestações sociais, abrir caminho para a desregulação laboral e promover a unificação ou enfraquecimento das reformas, cria-se o terreno ideal para um capitalismo sem freios. A narrativa de que "o mercado resolve tudo" ignora deliberadamente a assimetria de poder entre o capital e o trabalhador isolado.

Quando a proteção laboral e os apoios sociais são desmantelados, o cidadão perde a sua capacidade de escolha e de recusa, ficando submetido a condições de exploração por pura necessidade de sobrevivência.

O maior aliado desta inversão de valores não é apenas quem a defende ativamente, mas sim a indiferença de quem assiste em silêncio. A erosão dos direitos sociais raramente acontece de um dia para o outro; faz-se de forma gradual, normalizando o discurso do desdém e minando a solidariedade intergeracional e social.

Quem hoje acha que está seguro e, por isso, tolera ou apoia o ataque ao Estado Social, esquece-se de que a linha que separa a estabilidade do infortúnio é extremamente ténue. Sem uma rede pública forte, qualquer reviravolta na vida, um acidente, uma doença grave ou uma crise económica, pode ser o suficiente para confrontar o indivíduo com a realidade crua de um sistema que não quer saber dele.

Defender o Estado Social e a dignidade laboral não é defender o parasitismo, é garantir que a sociedade permanece humana, solidária e civilizada, onde o valor de uma pessoa não é medido apenas pela sua produtividade económica imediata.

Porque é que diabolizam todos em vez de apontar as excepções de abusos? Porque desejam acabar com o estado social! O curioso é que para ganhar eleições usam as prestações sociais e são os eleiçoeiros que degradam as instituições e o estado social.

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