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Ao seu lado caminhava Mr. White, um glutão insaciável que nunca recusava um banquete. Apresentava-se como gestor brilhante e exemplo de seriedade, embora ninguém conseguisse perceber onde começava a competência e terminava a fantasia. Mentia com tanta convicção que acabava por acreditar nas próprias invenções. Achava-se demasiado inteligente para ser apanhado, quando toda a floresta já se ria das suas histórias. Tinha pose de banqueiro, mas alma de pelintra e maneiras de oportunista.
A terceira figura era Miss Berlim, estrela da peça "A pobre de mim". Convencera-se de que o Castor era o seu bilhete premiado e acreditava poder manipulá-lo com lágrimas ensaiadas e um papel de vítima. O problema era que o Castor também julgava estar a manipulá-la. Assim viviam um romance onde o amor nunca apareceu, substituído pela vaidade, pelo interesse e pela ambição. Ela via nele uma carteira com pernas. Ele via nela uma admiradora ingénua. No fim, ambos eram apenas caricaturas da própria esperteza.
Os três acreditavam que a Instituição do Carvalho Dourado seria a fonte de uma vida confortável, paga pelo esforço dos outros. Sonhavam com privilégios, apartamentos e riqueza discreta, enquanto quem realmente trabalhava sustentava a floresta. Chamavam estratégia ao parasitismo e mérito à capacidade de viver à custa alheia. Brindavam ao futuro convencidos de que nunca seriam descobertos.
Mas a floresta tinha um defeito para os espertalhões: as árvores ouviam, os pássaros contavam e até as toupeiras descobriam os segredos enterrados. Quando menos esperavam, as máscaras caíram. O Castor tentou improvisar mais um discurso vazio, Mr. White procurou esconder-se atrás de um banquete e Miss Berlim representou, pela centésima vez, o papel da vítima incompreendida. Desta vez ninguém aplaudiu.
Desde então, continuam a desfilar pela Instituição do Carvalho Dourado como se nada tivesse acontecido, mas já ninguém lhes entrega responsabilidades nem acredita nas suas histórias. Todos conhecem os seus truques, todos evitam as suas manobras e ninguém os leva a sério. Os três sonhavam entrar para a história da instituição como grandes figuras. Acabaram apenas personagens ridículas de uma anedota que a floresta conta sempre que precisa de se rir da vaidade, da ganância e da falsa esperteza.
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