Q uem diria, depois de tantos anos a bater palmas e a acreditar que “agora é que é”, começo finalmente a perceber que talvez… não seja. Bastou um jantar de Natal, daqueles em que a comida é boa e as conversas más, para perceber que a CMF tornou-se tema obrigatório, quase como a sobremesa: aparece sempre, mesmo quando ninguém pediu.
É programas que ninguém entende, dinheiro que evapora, motoristas que sobem a chefes como quem apanha o elevador, concursos tão bem feitos que até parecem ter nome e apelido escritos nas entrelinhas, picagens, estagnação, inércia… um verdadeiro buffet de disparates.
E lá pelos jantares, os meus amigos, sempre bem informados, claro, contaram-me as últimas novidades. Pelos vistos, há divisões por um fio, prontas a serem engolidas por outras. Educa-se, sim senhor, mas a que preço? Eu, que já tenho uns aninhos disto, lembro-me bem do trabalho do RQ e da antiga vereadora leal (sim, essa mesma, familiar da atual), que deram o litro para erguer um departamento. E também não esqueço que o PS lançou programas que finalmente faziam sentido, depois de anos a ver coisas a funcionar “assim-assim”.
Agora? Temos divisões sem destino, pseudo‑chefes que ninguém sabe bem o que chefiam, e outros que nem vivem na ilha, saíram para outras comunidades, talvez de barca para o monte, quem sabe. E o mais fascinante é que toda a gente sabe disto e encara como se fosse o clima: inevitável e normal.
Então pergunto: o Sr. Presidente da CMF, ex‑secretário da Educação do GR, porque é que não agarrou os pelouros da educação, juventude, desporto e companhia limitada? Falta de gente competente? Não acredito. Falta de vontade? Talvez. Falta de noção? Quem sabe. E a vereação, está lá para quê? Para decorar fotografias? Para segurar pastas vazias? Para sorrir e acenar?
Talvez fosse boa ideia seguir o exemplo do Sr. RH e admitir que, às vezes, o melhor mesmo é mudar, ou pelo menos fingir que se tenta.
Porque isto, sinceramente, não parece nada com o Sr. JC que conheço: sério, dedicado, responsável, focado no serviço público e, acima de tudo, alguém que não gosta de ser tema de conversa… pelo menos não pelas piores razões.