Falar de altas problemáticas e falhar o PRR para um lar.


H oje é dia de eleições, falta-me entusiasmo, mas não quero cair na revolta, quero ter esperança, mesmo quando com as notícias fortemente condicionadas vamos ouvindo cada coisa! Vivemos um tempo de desnorte político que já nem disfarça a sua falta de humanidade.

Enquanto os hospitais acumulam urgências aflitas, profissionais exaustos e doentes sem resposta, o Governo escolhe virar a cara para o essencial e investir energia em projetos que nada resolvem da vida real das pessoas. Este é o problema do desentusiasmo, o erro fatal que vai moldando eleições.

O caso do lar no Santo da Serra é paradigmático, um projeto social vital, financiado pelo PRR, que falha, não por falta de necessidade, mas por falta de "aplicação" política depois de uma visita fortemente documentada, enquanto propaganda. Faltou prioridade, visão e sensibilidade. Ao mesmo tempo, mais de metade do PRR continua por executar, a poucos meses do fim do prazo, numa demonstração gritante de incompetência e irresponsabilidade.

Em vez de correr contra o tempo para salvar o que é essencial, saúde, habitação, apoio aos idosos, coesão social, o Governo entretém-se a inventar campos de golfe, como se o futuro da Região dependesse de mais buracos relvados para turistas de luxo, com um PRR que mal passa dos 50% de utilização.

É uma governação desligada da realidade, uns dizem que não é da idade mas da teimosia, que prefere agradar a interesses privados do que responder às necessidades da população. Uma governação que confunde desenvolvimento com negócio, progresso com favorecimento, e estratégia com improviso. Parece que irão por este modelo até implodir, e isso parece que acontece em eleições, mais do que rusgas.

E, como se não bastasse, o formado em economia continua a transformar cada cargo público numa montra de favores pessoais. Para amigos. Agora surgem novas ideias para os portos, sempre oportunas, sempre convenientes, sempre com destinatário certo: o “amigo do coração”, que parece colecionar prendas políticas como quem coleciona troféus.

Acho que não comprometi o dia, e acabo com certezas, as que me desentusiasmam  desnorteiam, ter esperança no quê? Isto não é gestão pública. Isto é clientelismo. Isto é insensibilidade social. Isto é um Governo perdido, sem rumo e sem prioridades humanas.

A política deveria servir as pessoas. Hoje, serve interesses. E esse é o maior fracasso de todos na democracia, assim nasce o radicalismo, mas eles não se importam, porque conta o tempo que dura o seu umbigo.

As altas problemáticas, porque vivi uma, é o desespero de muitas famílias fragilizadas que não conseguem se valer neste modelo desumano. Deixem-nos viver, ganhar o dinheiro e gastá-lo, não queremos caridade, mas a caridade prende.