Só a hipótese já estremece investidores, TVs e "FIFIA", o problema é que já passaram à prática.
O Mundial de 2026 está a tornar-se o mais politizado da história. Enquanto os números de cancelamento de bilhetes são disputados (com a FIFA a chamar-lhes "sem substância"), o boicote diplomático e a asfixia de vistos são realidades concretas que estão a afastar milhares de adeptos reais, o primeiro número é de 17 mil desistências. Outro problema, já há organizações apostadas em fazer desistir, explicando o que se passa, o problema é que esta roda viva de Donald Trump a atingir países em catadupa ajuda. O Futebol não tem culpa e esperamos 4 anos por um Mundial, mas os humores estão extremados.
Mais do que adeptos a escolher não ir, quando já passamos a carestia dos bilhetes, há milhares que estão impedidos de o fazer! Com Travel Ban já começa um boicote prático imposto pela própria política externa dos EUA, sem falar da política de vistos onde até te vão ver as redes sociais.
Paralelamente a isto, os Estados Unidos estão numa espécie de Guerra Civil com o ICE e isso é uma mostra do que fazem com estrangeiros no território americano, quando as outras autoridades dos vistos também são hostis.
O Mundial costumava ser uma festa, os adeptos não vão para um país que não está bem consigo mesmo e parece que odeia estrangeiros. Um país que não comunga a alegria do futebol porque ainda não enraizou nele.
Vamos fazer um exercício, deixando de parte os organizadores EUA, Canadá e México, um Mundial pode ser arruinado com uma desistência generalizada e concertada. Trump interveio na Venezuela e acusou a Colômbia, pegou-se com Panamá, com Cuba, pegou-se com a maioria da Europa por conta da Gronelândia, com a Dinamarca à cabeça, avisa o Irão. Pelas minhas contas, 19 seleções têm os seus países sem boas relações para levar adeptos ao Mundial de 2026, ao que se podem juntar mais 5 com o playoff. O Mundial terá 48 seleções.
Claro que existe sempre Canadá e México, mas no nosso caso, Portugal joga nos EUA, é onde acontecem a maioria dos jogos.
Sou daqueles que assistem a guerra civil americana, com o ICE a matar pessoas (todos os dias nesta semana) tal como o Corpo dos Guardas da Revolução Islâmica do Ayatola do Irão, uma ironia, pena o Irão não mandar ajuda... Que fique claro que não apoio o Irão, mas queria fazer este paralelismo.
Estou para ver quando é que o espertalhão imobiliário, igual aos da Madeira, decide não dar vistos a jogadores das mais diversas seleções para ficar mais fácil os Estados Unidos ganharem alguma coisa. É por isso que Ronaldo é amigo de Trump? Acham isto infundado com Trump a liderar um país anfitrião? Acham que um Infantino que bajula Trump, e lhe entrega o troféu, não vai ter árbitros jeitosos para satisfazer o ladrão de troféus? Só falta um Nobel do Desporto depois de ficar com o reconhecimento de Corina Machado... apagado de ramona?
Não é difícil de prever que, um país com o povo fortemente armado e com uma polícia política (ICE) a entrar autenticamente a matar, não acabe em guerra civil, só faltava ver o Mundial pagar estes azeites, sobretudo quando o futebol, o nosso, passa ao lado dos americanos.
Entrar nos EUA parece um privilégio. Mas, por um momento, desviemos toda a força de trabalho deles, imigrantes, e todos os visitantes, como vai ser o Mundial de 2026?
Eu vou ver pelo ecrã gigante junto da malta numa praça, se houver Mundial.
Vejam esta excelente análise, está em inglês:
