Tínhamos a burocracia, agora o medo de atender chamadas.
N um tempo em que os nossos dados andam abusados e roubados, temos que estar sujeitos a chamadas telefónicas que nunca se sabe se são sérias ou para nos roubar. Num tempo em que sugam os nossos dados, quando toca o telefone de número desconhecido vivemos uma aventura, isto é sério ou vou-me lixar? Muitas pessoas já optaram por não atender número que não estejam na sua lista telefónica. O problema é que a economia também se ressente desta suspeita e destas atitudes.
Desculpem lá mas oposição, governo e entidades com responsabilidade na matéria têm culpa. Então o progresso trouxe menos informação nesta matéria? Quer dizer, antigamente havia listas telefónicas e agora não?
Num tempo em que os telemóveis são extensões da nossa identidade, guardam contactos, dados bancários, mensagens privadas e acesso a serviços essenciais, é cada vez mais evidente a necessidade de um serviço público fiável de identificação de chamadas em Portugal. A proliferação de spoofing, em que números legítimos são falsificados, aliada ao crescimento de fraudes telefónicas, ataques de engenharia social e tentativas de roubo de dados, deixou os cidadãos praticamente desarmados.
Hoje, qualquer pessoa pode receber uma chamada aparentemente local, institucional ou até familiar, sem qualquer forma simples de verificar se do outro lado está alguém legítimo ou um burlão profissional.
Num tempo onde até ex secretários, como o Pedro Ramos, não foi responsabilizado pela perda de dados de todos os madeirenses inscritos na Saúde da Madeira, e que recebemos várias chamadas semanais para nos enganar, onde está a contramedida, pelo menos!
A ausência de um sistema oficial, transparente, regulado e acessível, empurra os utilizadores para soluções privadas opacas, muitas vezes estrangeiras, que vivem da recolha massiva de dados pessoais e de agendas de contactos, levantando novos problemas de privacidade e segurança.
Num contexto em que o Estado exige cada vez mais interação digital com os cidadãos, é contraditório não garantir mecanismos básicos de proteção nas comunicações. Um serviço nacional de verificação de chamadas, supervisionado por entidades como a ANACOM e a CNPD, não seria um luxo tecnológico, mas sim uma infraestrutura de segurança pública, essencial para restaurar a confiança nas comunicações e proteger especialmente os mais vulneráveis, idosos, jovens e pessoas com menor literacia digital.
Ignorar esta necessidade é aceitar que o telefone, um dos meios mais básicos de contacto humano, continue a ser uma porta aberta para o crime.
Que não me entendam como alguém que incita a vigilância ainda maior dos nossos passos de forma abusiva, basta uma entidade que determine número e identidade ou entidade.
