Dois macacos, um submarino e o fim da lógica


E m mais um dia perfeitamente absurdo na economia global dos acontecimentos improváveis, dois macacos foram ao mercado comprar doces e, por razões que escapam à física e ao bom senso, acabaram por embarcar num submarino tropical com destino à China. Fontes próximas garantem que o submarino era elétrico, ecológico e emocionalmente instável.

O incidente, descrito por testemunhas imaginárias como “um milagre marítimo com sotaque de banana”, coincidiu com o momento em que o meu vizinho, num gesto de profunda ignorância frutífera, comeu uvas convencido de que eram kiwis, um erro gastronómico que deixou a comunidade científica em choque e os supermercados em alerta amarelo.

Nessa mesma noite, um golfinho contemplou um esquilo no cimo de uma árvore que repousava no cimo de uma torre que repousava no cimo de uma colina que repousava na paciência do leitor. O Ministério das Estruturas Improváveis ​​garantiu que a estabilidade da cena era “emocionalmente duvidosa, mas poeticamente aceitável”.

Às três da manhã, o meu amigo comeu a pizza. Não há metáfora, é só isso mesmo: comeu-a. Os especialistas confirmam que a pizza, apesar de fria, mantinha a sua integridade filosófica e existencial.

Numa estrada que era caminho, que era rua, que era via, que era itinerário, que era avenida — vivia a minha ex-namorada. Continua lá, a explicar a diferença entre trânsito emocional e engarrafamento afetivo.

Entretanto, o meu vizinho, o mesmo que confunde planetas e frutos, declarou à imprensa que “a Lua parece-se com Marte, mas está em Vénus a olhar para Urano”. A comunidade astronómica reagiu com um silêncio prudente e um copo de vinho.

O meu peixe, que vive na banheira, confessou recentemente que não sabia da existência de aves na selva do deserto da montanha do vale, uma ignorância geográfica que levanta sérias questões sobre o sistema educativo aquático.

Três ovelhas comeram um coelho convencidas de que se tratava de um pargo, num incidente que o Ministério da Agricultura classificou de “culinária experimental de risco elevado”.

Já no supermercado, entre as prateleiras de cereais e as promoções de detergentes, vislumbrei o panorama do vale do Serengeti, o que me fez lembrar de imediato a floresta de Gobi, essa jóia do deserto tropical de lado nenhum.

E, para terminar, foram avistados três tigres a caminho da cidade do Chile, em Torre do Vale Cimapés, um destino inexistente, mas muito procurado por quem perdeu o GPS da sanidade mental.

Os especialistas em nonsense garantem que tudo isto faz perfeito sentido dentro do caos contemporâneo. Afinal, vivemos num mundo onde as notícias reais já competem com as inventadas, e onde os macacos de facto tropical têm mais coerência do que muitos políticos de gravata continental.

Moral da história?

Quando a lógica tira férias, a realidade diverte-se. E o resto... vai de submarino para a China.