I maginar Portugal com um Presidente à imagem de Donald Trump é um exercício curioso mas necessário nos tempos que vivemos, é inquietante. Não apenas pelo estilo provocador, populista e polarizador, mas sobretudo porque o nosso sistema político, a nossa cultura democrática e as instituições europeias funcionam de forma muito diferente das dos Estados Unidos.
Em Portugal, o Presidente da República não governa diretamente como o Presidente dos EUA. Não é chefe do governo, não define o orçamento, nem escolhe ministros por vontade própria. O seu poder é sobretudo moderador, promulga leis, pode vetá-las, dissolve o Parlamento, nomeia o Primeiro-Ministro e é o garante último da Constituição. Mesmo assim, não é pouco e pode gerar um pandemónio. Um “Trump português” teria, no entanto, muito menos margem para impor uma agenda pessoal baseada em confrontação, insulto político ou desprezo pelas regras., mas faria mossa, uma instalação em suaves prestações.
Ainda assim, um Presidente com esse perfil teria impacto, sem dúvida. Usaria o cargo como megafone, alimentaria divisões, atacaria jornalistas, juízes e partidos, e tentaria transformar cada crise numa guerra cultural. Mas aqui começa a grande diferença, em Portugal, esse comportamento teria consequências muito mais rápidas.
Nos EUA, Trump conseguiu resistir porque o sistema é hiper-presidencialista, os partidos são fortemente tribalizados e a sociedade está profundamente polarizada. Mesmo após ataques às instituições, mentiras sistemáticas e o assalto ao Capitólio, continuou a ter milhões de apoiantes e uma máquina partidária disposta a protegê-lo. O sistema aguenta mais tempo… mas paga um preço alto, com erosão da confiança democrática, radicalização, instabilidade e descrédito internacional.
Em Portugal, um Presidente assim provavelmente duraria pouco tempo politicamente, mas não sabemos qual o humor atual dos portugueses e ainda mais daqueles estrangeiros que ganham capacidade de voto. Sonham com a confusão? Querem ter o mesmo país do qual emigraram?
Um Presidente da República "à Trumpo" não seria deposto facilmente, porque a Constituição torna isso difícil, mas ficaria rapidamente isolado. O Parlamento, o Governo, o Tribunal Constitucional, os media e a opinião pública reagiriam. A pressão institucional e social seria enorme. Um Presidente que rompesse com o papel de árbitro e se comportasse como agitador acabaria irrelevante, bloqueado e sem capacidade real de influência.
Ou seja, nos EUA, Trump mostra como um sistema pode ser esticado até quase partir. Em Portugal, o mesmo perfil não “partia” o sistema, mas seria o próprio Presidente a partir politicamente primeiro. A nossa democracia não é perfeita, mas é menos tolerante ao espetáculo autoritário e mais dependente do consenso, da legalidade e da cooperação institucional.
A grande lição é esta, Trump não é apenas um homem, é o sintoma de um país dividido. Em Portugal, esse sintoma não teria o mesmo terreno fértil. E isso é, no fundo, uma boa notícia. Mas, se está interessado num país mais justo, repare que não é pelo caminho de Trump que o conseguiria, ele acentua maus o fosse entre ricos e pobres.
Mas não estamos livres de Trump e seus seguidores, Portugal ainda pode ser imprescindível para a segurança dos EUA como a Groenlândia, já que fica com os Açores, fica com o país todo. Aprenda a estar longe dos problemas, não os fomente, Trump com poder transformou-se, mentiu a toda a gente, uns gostam, a maioria está quase em guerra civil.
