A democracia não vive de slogans
V ive de regras simples, actos claros e cidadãos atentos. O voto é secreto porque a liberdade precisa de silêncio. Ninguém pode ver o seu boletim. Ninguém pode exigir provas. Ninguém pode vigiar a sua escolha. Quem tenta quebrar esse princípio não está a “opinar”: está a intimidar. E intimidar é atacar a democracia pela porta do fundo.
Votar sozinho não é isolamento. É proteção. O segredo do voto impede o medo, trava a pressão e corta o controlo. Por isso é proibido fotografar o boletim ou exibir escolhas nas redes sociais. A liberdade não se exibe: exerce-se. Quando o voto deixa de ser secreto, deixa de ser livre. E quando deixa de ser livre, deixa de ser democrático.
Mas hoje a ameaça não é só física. É informativa. A desinformação não vota, mas influencia. Age pela velocidade, pela repetição e pela confusão. Pede que o cidadão não pense. O primeiro gesto cívico é travar. O segundo é hierarquizar: uma fonte oficial vale mais do que um perfil anónimo; dados valem mais do que palpites; contexto vale mais do que ruído. Volume não é verdade. Tendência não é prova.
Democracia exige vigilância. Qualquer eleitor pode reclamar, protestar, denunciar. Há formulários. Há regras. Há instituições. Usá-las não é exagero: é dever. Uma democracia sem denúncia informada é terreno fértil para o abuso. O silêncio não é neutralidade; é colaboração involuntária.
Neste dia 18 de janeiro de 2026, votar é um acto mínimo com impacto máximo. Quem se abstém entrega a decisão a outros. Quem se cala aceita o resultado sem voz. Não fique parado enquanto escolhem por si. Participe com consciência. Pense antes de partilhar. Denuncie quando for preciso. A cidadania não é espetáculo; é disciplina.
Diga não ao ódio, ao populismo, à mentira e ao caos. Diga não à política do medo, da divisão e do ataque às instituições. Diga sim à democracia, aos direitos, às liberdades, à dignidade dos jovens, dos idosos e dos mais frágeis. Escolha competência, seriedade e honestidade. A política não é um jogo de gritos; é uma responsabilidade.
O futuro não se herda. Decide-se. E decide-se com um gesto simples, secreto e livre. O seu voto é a sua voz. Use-a.
