O Mundial nos EUA não é uma festa, não vá para lá se meter em encrencas.


Q uem vai investigar se vai cai na real, por diversas formas, preços, exigências, vigilância, estupidez, mesmo que a situação do turismo europeu para os EUA seja de contração acentuada. Em períodos específicos de 2025, a queda de visitantes europeus chegou aos 17%, com o mercado português a acompanhar esta tendência devido à instabilidade política e às novas políticas de fronteira. Há uma tendência de agravamento agora em janeiro de 2026. As notícias não ajudam nada, as companhias aéreas fazem promoções e não me parece que uma oportunidade valha a pena.

Embora os cidadãos da União Europeia (incluindo portugueses) não estejam incluídos na lista de 39 países do "Travel Ban", total ou parcial, o ambiente de vigilância e os novos custos estão a desincentivar as viagens. Mas o que intimida é a hostilização e saber ter capacidade de encaixe.

Mesmo para quem não precisa de visto (como os europeus), as regras de segurança endureceram. Agora, ao pedir o ESTA, os viajantes enfrentam a vigilância digital que ninguém sabe com o quê se vão pegar. Imaginem que é necessário declarar as redes sociais dos últimos 5 anos e e-mails da última década! Mas o que é isto!? Se uma estátua nua numa publicação é banida pelo Facebook, ainda passo por tarado sexual à entrada dos EUA.

Também foi introduzida uma "taxa de integridade" e houve aumentos nos valores do formulário I-94, tornando a viagem mais cara e burocrática. Os Estados Unidos já não eram um país amigável à entrada mas, basta seguir as redes sociais e reportagens, para perceber que o aumento de inspeções invasivas nos aeroportos tem gerado uma perceção de que o país é ainda menos "acolhedor" para turistas de lazer. A hostilidade aumentou.

O Mundial de Futebol (que começa em junho de 2026) é visto como a "tábua de salvação" para o setor, mas as previsões de adesão europeia estão a ser revistas em baixa. Pensei que seria uma oportunidade, porque os preços que estão altos, como nunca, poderiam baixar. Embora esperem cerca de 1 a 1,2 milhões de visitantes internacionais para o evento, muitos adeptos europeus estão a hesitar em comprar bilhetes devido ao receio de serem retidos na imigração ou de verem os seus dados pessoais (telemóveis e redes sociais) revistados. Ainda vou ver jogadores banidos do mundial pelos EUA, querem ver que o Trump é capaz de provocar baixas em seleções dessa maneira com a mesma lata com que ficou com o troféu da FIFA...

Os hotéis nas cidades anfitriãs subiram uns 60% durante o torneio. Isto, aliado ao dólar forte, está a levar muitos europeus a optar por assistir apenas aos jogos realizados no Canadá ou México, onde as regras de entrada são mais flexíveis.

Os preços das companhias aéreas, hotéis, etc, tenderão a baixar? Mas, os Estados Unidos não são lugar que suporte a alegria do futebol. Não têm tradição futebolística para receber claques de futebol animadas. Viram a mulher assassinada hoje com tiros na cara pelos agentes do ICE? Aguardem mais dois anos pelo Europeu de Futebol, esse é o espaço natural do futebol mundial.

Portugal joga apenas nos EUA durante a fase de grupos, mas se passarmos em 2º lugar no nosso grupo, o nosso jogo dos 32 avos de final (2 de julho) será em Toronto, no Canadá. Única hipótese de ver a seleção num pais decente, se Portugal ganhar o grupo joga sempre nos EUA.

Nota: Minneapolis, cidade onde hoje o ICE abateu uma mulher com tiros na cara, não há jogos do mundial, mas pode servir de base a seleções, está a 6 horas de carro ou 1 hora de voo está Kansas City, uma das cidades onde Portugal poderá jogar nos 32 avos de final (caso vença o seu grupo) ou nos quartos de final. Mas nenhum lugar é uma garantia de bom ambiente.

Não me vão para lá vender bilhetes no mercado negro 😐

O Mundial de Futebol vale 104 Super Bowls, dizem, mas não creio com este ambiente.