O s custos continuam a subir para quem vive na Madeira, enquanto o modelo económico continua a favorecer a turistificação e a extração de valor, não a mobilidade nem a qualidade de vida dos residentes. Esta é a verdade. Por mais que seja evidente, mais vemos teatro, como o de Albuquerque e Jesus apanhados com um péssimo trabalho fornecido pelos seus amigos do Governo Central
A APP do Subsídio Social de Mobilidade (SSM) desmonta a narrativa oficial de que a alteração do modelo “simplifica” e “protege” os madeirenses. Pelo contrário, torna-se anedota. O residente continua a adiantar mais dinheiro e continua a inviabilizar viagens, mesmo que receba em breve, tenho medo, vai ser como os exames e consultas. Bem fazem as companhias aéreas por não acreditar.
O cálculo passa a obedecer a tetos artificiais, em períodos de maior procura (precisamente quando quem trabalha precisa de viajar), o custo final dispara. Os exemplos dados pelo agente de viagens são elucidativos: viagens que antes custavam cerca de 158 euros podem passar para 379 euros. Isto não é um ajuste marginal, é mais do dobro. (link de um post do MO: 3ª curta)
Para uma Região ultraperiférica, onde o avião não é um luxo mas uma necessidade, isto é um encarecimento estrutural da vida. O avião é o nosso comboio, autocarro, etc.
Um contraste é brutal, aos residentes, encarece-se o direito básico à mobilidade, mas ao capital turístico, garante-se espaço, rendas elevadas e estabilidade de longo prazo. Enquanto o madeirense paga mais para sair da ilha, para trabalhar, estudar, tratar da saúde ou manter laços familiares, a ilha é progressivamente retirada a quem lá vive e entregue a um modelo de exploração turística contínua. Os impostos não têm retorno, não se consegue viver e a ilha é-nos tirada.
Este modelo aumenta o preço a quem precisa de viajar com frequência, quem tem rendimentos médios ou baixos, quem não consegue planear meses de antecedência, quem não domina plataformas digitais, quem já sofre com rendas altas, salários baixos e serviços pressionados.
O novo SSM transfere risco e custo para o cidadão, ao mesmo tempo que o território continua a ser moldado para maximizar rentabilidade turística. Não é coincidência. É coerência de modelo.
Dizer que o aumento dos custos “será inevitável” é uma escolha de linguagem com um objetivo claro, naturalizar uma decisão política.
Não é inevitável penalizar residentes numa região ultraperiférica? Desenhar um sistema que beneficia quem tem liquidez e penaliza quem vive do salário? Continuar a priorizar o turismo enquanto se encarece tudo o resto?
Se este modelo continuar, a vida na Madeira continuará a ficar mais cara para quem cá vive e mais rentável para quem vem de fora.
Os governos continuam a financiar a liquidez das companhias aéreas.
