A o analisar o gráfico dos Resultados Globais e compará-lo com a evolução das tracking polls e sondagens publicadas nas semanas anteriores, podemos retirar lições críticas sobre a fiabilidade destes estudos em Portugal.
1. O fenómeno da "subestimação" e Voto Oculto!
Uma das críticas mais óbvias à luz dos resultados é a discrepância em candidatos específicos. Frequentemente, as sondagens de evolução (tracking polls) mostravam Ventura numa luta renhida pelo terceiro lugar ou com uma percentagem abaixo dos 23,53% obtidos. Isto sugere um "voto oculto" ou um eleitorado que as sondagens tradicionais por telefone têm dificuldade em captar, possivelmente por os inquiridos a evitarem declarar o voto neste candidato.
Embora tenha vencido com 31,12%, muitas sondagens colocavam o candidato com uma vantagem maior. Isto mostra que as tracking polls tendem a captar a "intenção" no pico emocional da campanha, mas falham em prever a desmobilização ou transferência de voto útil na reta final.
2. O erro da Margem de Erro
As sondagens costumam ter uma margem de erro de cerca de 3%. No entanto, quando olhamos para candidatos como João Cotrim de Figueiredo (15,99%) ou Henrique Gouveia e Melo (12,33%), verificamos que muitas previsões falharam por valores superiores a essa margem. As sondagens são "fotografias de um momento" e não previsões. Quando os resultados finais saem fora da margem de erro, o problema reside muitas vezes na amostragem (quem é que atende o telefone hoje em dia?) e na incapacidade de medir a abstenção real, quase metade dos inscritos não votou.
Uma lição para o Madeira Opina, se as grandes empresas de sondagens nacionais falham com orçamentos enormes, um portal regional deve focar-se menos em "prever quem ganha" e mais em perceber as motivações. Continuem e resistam no comentário.
