A vitória do candidato da extrema-direita na primeira volta das Presidenciais de 18 de janeiro de 2026 é um choque político e moral. Não é surpresa, mas é nojento. Mostra um voto cego, barulhento e irresponsável, guiado por raiva fácil e slogans vazios. Mostra um eleitorado que troca razão por grito, futuro por ressentimento, democracia por ruído.
O resultado expõe um problema antigo, normalizou-se o discurso agressivo, a mentira simples e a política do medo. A extrema-direita cresce porque promete força sem regras, ordem sem justiça, identidade sem pensamento. Vende soluções rápidas para problemas complexos e culpa sempre “os outros”. É propaganda barata, mas eficaz quando a exigência cai e a memória falha.
Há aqui falha de foco e de responsabilidade. Falha de disciplina cívica. Falha de análise. Falha de aprendizagem. Votou-se contra o bom senso, contra a estabilidade e contra a confiança mínima que sustenta uma comunidade política. Não é protesto inteligente; é desistência. Não é coragem; é preguiça intelectual.
O discurso vencedor fala alto, mas pensa pouco. Comanda sem cuidar, ativa sem deliberar, compete sem regras. Usa comunicação para dividir, não para ligar. Rejeita empatia, ignora contexto, despreza futuro. É política sem compaixão e sem esperança real. É um atalho que custa caro.
Uma sociedade séria exige consistência, regras claras e respeito. Exige decisão com cuidado, não impulso. Exige líderes que organizem, resolvam e assumam consequências. Exige estratégia, não bravata. Exige inclusão, não exclusão. Exige confiança construída, não medo explorado.
A Madeira não precisa de messias de megafone. Precisa de trabalho, estudo, responsabilidade e visão. Precisa de ligação entre pessoas, de desenvolvimento, de harmonia prática. Precisa de positividade baseada em factos, não em insultos. Precisa de futuro, não de passado reciclado.
Este resultado é um aviso duro. Não é vitória da democracia; é um teste à sua resistência. A resposta não é silêncio nem resignação. É crítica firme, organização cívica e exigência. É aprender, pensar e agir melhor. A política não é um ringue. É um compromisso. E hoje esse compromisso saiu ferido.
