Votar é um ato de justiça


H á momentos em que a política deixa de ser espetáculo e volta a ser dever. O próximo dia 18 de janeiro é um desses momentos. Não se trata de idolatrar homens, mas de escolher princípios. E a pergunta impõe-se: queremos gritos ou razão? Ruído ou justiça?

A justiça não nasce do ódio nem do improviso. Exige método, coerência e coragem. Exige um entendimento claro de que o poder só é legítimo quando protege quem menos tem, quando dá voz aos jovens sem futuro hipotecado, aos idosos esquecidos, aos trabalhadores esmagados entre salários curtos e lucros obscenos. A justiça é equilíbrio: não favorece castas, não tolera privilégios, não negocia direitos.

Vivemos tempos de desordem moral. Trocam-se convicções como se trocam slogans. Hoje é tudo instantâneo, superficial, descartável. Partidos viram marcas. Ideologias, acessórios. O populismo prospera nessa confusão, promete soluções fáceis para problemas complexos e aponta inimigos para esconder a própria vacuidade. O resultado está à vista: polarização, mentira normalizada, medo transformado em método político.

Mas uma comunidade política saudável exige outra postura. Exige ponderação, respeito pela evidência, responsabilidade nas palavras e nos atos. Exige reconhecer que a democracia não é perfeita, mas é corrigível; que a liberdade não é barulho, é regra; que a igualdade não é retórica, é política pública. Exige harmonia entre direitos e deveres, entre liberdade individual e justiça social.

É neste quadro que a escolha ganha sentido. Há candidatos que encarnam o ruído do tempo, simplistas, agressivos, vazios. E há quem represente o contrário: preparação, serenidade, sentido de Estado. Um candidato que entende que a Presidência não é trincheira ideológica, mas garante constitucional; não é palco, é consciência. Um homem que não governa por impulsos, mas por princípios.

A Madeira, como o país, não precisa de salvadores. Precisa de equilíbrio, decência e coragem cívica. Precisa de uma Presidência que defenda todos, sem exceções nem exclusões, independentemente da origem, da fé ou da cor da pele. Precisa de alguém que saiba que o poder passa, mas as consequências ficam.

Votar é isso, um ato simples, mas pesado de significado. Um gesto racional num tempo de irracionalidade. Um ato de justiça num tempo de ruído.