O elogio da incompetência
A
A falácia da "Realidade Concreta"
Argumentar que limitações de recursos justificam o espetáculo deplorável a que assistimos é o mesmo que aceitar um cirurgião sem bisturi. Se uma estrutura não possui músicos, afinação ou equilíbrio instrumental, ela não existe enquanto entidade musical. A "vontade de participar" não substitui a competência. Onde termina o amadorismo saudável e começa a "fraude artística", esta agremiação já passou a fronteira de olhos fechados e sem bússola.
A fé não é salvo-conduto para a vergonha
É perverso usar a "fé e a tradição" como escudo para o mau serviço. A história das procissões sempre foi pautada pela entrega do melhor que o homem pode oferecer ao Divino, o rigor e a arte sublime. Oferecer aos fiéis um "oiteto" desconexo, onde a percussão esmaga seis sopros perdidos, não é um ato de devoção; é um atentado ao decoro religioso. Se a música é uma expressão de fé, o que ouvimos foi um sacrilégio auditivo.
A ditadura do "gosto pessoal"
Afirmar que "se os fiéis estão satisfeitos, está tudo bem" é o nivelar da cultura pelo rés-do-chão. O papel de uma filarmónica não é o de um animador de rua de baixo custo. O seu dever é educar, elevar e honrar o fardamento. Aceitar a mediocridade porque "o povo não se queixa" é tratar os madeirenses como ignorantes que não merecem nada melhor do que os restos de um banquete cultural que outrora foi glorioso.
Inclusão: o refúgio dos incapazes
Não confundamos inclusão com permissividade. Inclusão é dar ferramentas para quem quer aprender; permissividade é deixar que um grupo sem condições se apresente publicamente sob o nome de "Banda", degradando o prestígio de todas as outras. Se qualquer grupo de esquina pode ser equiparado às Bandas Municipais históricas, então o mérito morreu e o esforço de quem investe na qualidade é inútil.
Conclusão: o respeito exige silêncio
O verdadeiro respeito pela tradição filarmónica demonstra-se de forma simples: quando não se tem qualidade, não se toca. O silêncio é infinitamente mais digno do que a nota desafinada.
Aqueles que pedem "apoio" para quem assassina a música em plena Semana Santa são os mesmos que amanhã chorarão a morte das nossas filarmónicas centenárias, sufocadas pelo facilitismo. A cultura é exigência, ou então é apenas barulho.
E de barulho já o mundo está cheio.
Relacionados:
- Todas as bandas contam na tradição madeirense
- Dignidade musical nas procissões da Região Autónoma da Madeira
- Outra vez as bandas?
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.